Sábado, 20 de Outubro de 2018

Relatório aponta aumento da conscientização nas rede sociais contra o suicídio




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Discutido ou ignorado, tema de piadas ou de relatos. O suicídio é um assunto controverso, mas encarado de forma cada vez mais consciente, segundo um dossiê preparado pelo Comunica que Muda (CQM), ligado à agência Nova/sb.

O levantamento analisou 538 mil menções ao tema na internet entre maio e junho de 2018, comparando a um período semelhante no ano passado, e constatou o crescimento das demonstrações de empatia sobre o assunto.

Dobrou o número de menções positivas sobre o tema — quando os autores demonstram conscientização, passando de 28,8% em 2017 para 57,8%. As mensagens preconceituosas, que reforçam tabus aumentaram de forma menos expressiva — passando de 18,4% para 26,4%. Já os comentários que não demonstram um posicionamento claro desabaram de 52,8% para 15,8% no mesmo período.

Segundo o relatório, intitulado “Suicídio nas redes em 2018”, ficou claro que tirar a própria vida é um tema sério — em 2017, 34,2% dos comentários sobre esta medida drástica eram piadas. Em 2018, apenas 9,3% seguem esta linha. Já as menções de teor opinativo aumentaram de 24,4% para 51,3%.

“Foram mudanças provocadas principalmente pelo jogo da Baleia Azul (uma série de 50 desafios cujo objetivo é acabar com a própria vida) e a série “13 reasons why” (que aborda o suicídio de uma adolescente americana)”, explica Bia Pereira, coordenadora geral do CQM. — Até então, não se falava sobre suicídio, nem mesmo na imprensa, ou era visto como uma frescura. Agora, sabe-se como é importante reparar que as pessoas estão sofrendo.

A maioria das postagens (79,4%) é feita por mulheres, que têm mais propensão a falar sobre seus sentimentos do que os homens. Além disso, registrou-se que o número de menções é maior à noite, e no fim de semana.

Os comentários sobre o desafio da Baleia Azul praticamente desapareceram em 2018, quando ele “saiu de moda”, e as relacionadas a “13 reasons why” tiveram uma leve queda, de 26,6% para 21,6%. Ainda assim, Bia acredita que os resultados do ano que vem serão ainda mais positivos, já que o suicídio de famosos, como o chef Anthony Bourdain e a estilista Kate Spade, também chamam a atenção para o tema.

A equipe de Bia repetiu a metodologia adotada no primeiro levantamento, em 2017, quando analisou as redes Facebook, Twitter e Instagram, além de blogs e comentários em sites.

“Nas redes sociais, todos querem demonstrar felicidade, o que pode agravar o quadro de quem já se sente triste. Recebemos um número surpreendente de mensagens depois da primeira pesquisa e não sabíamos o que fazer. Encaminhamos os relatos para centros médicos, grupos de apoio e para o Centro de Valorização da Vida (CVV)”, revela Bia.

Voluntário do CVV, Robert Paris Júnior destaca que, embora ainda falte bastante consciência do brasileiro quanto à questão do suicídio, campanhas como o “Setembro Amarelo” estão mobilizando a sociedade.

“Mesmo histórias ruins, como a Baleia Azul, nos possibilitaram difundir informação e colocar o tema em pauta. Com isso, estamos nos aproximando das pessoas. Além disso, o suicídio das celebridades, quando recebe uma cobertura responsável e equilibrada da mídia, mostra ao público que, por trás do ato de tirar a própria vida, há um sofrimento”, lembra.

“A pessoa que quer se matar pode encontrar nas redes muito material sobre o tema. Por outro lado, também há muitas informações sobre como e onde buscar ajuda, mostrando que o mal estar emocional é como uma doença física e não há vergonha alguma em buscar socorro. Ainda existe estigma, mas, como estamos falando cada vez mais abertamente sobre o assunto, esta barreira está caindo”, disse.

AJUDA - O CVV conta com uma linha gratuita de atendimento de alcance nacional, no número 188, voltada para pessoas que querem desabafar e pedir ajuda. Em 2016, recebeu cerca de 1 milhão de ligações; em 2017, o dobro, e estima-se que em 2018 serão realizados mais de 2,5 milhões de telefonemas. No entanto, o corpo de voluntários expandiu-se apenas 25%. Os interessados em juntar-se à equipe fazem um curso de cerca de 30 horas antes de iniciar os trabalhos. A Organização Mundial de Saúde estima que mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida anualmente. No Brasil, são cerca de 11 mil casos, segundo o Ministério da Saúde.


Autor:AMZ Noticias com Diário de Cuiabá


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