Sábado, 20 de Outubro de 2018

Após 5 anos de implantação Mais Médicos atende 73% dos municípios de Mato Grosso




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Há cinco anos, Mato Grosso recebia os primeiros profissionais do “Mais Médicos”, programa criado pelo governo federal com o objetivo de ampliar à assistência na atenção básica fixando médicos nos municípios ou comunidades com mais carência ou menos assistidos. Desde então, 236 especialistas passaram a atuar por meio da iniciativa no Estado.

Do total, 39 são de brasileiros com CRM Brasil, 65 de intercambistas individuais (brasileiros formados no exterior e ainda sem CRM ou estrangeiros) e 132 são de cooperados (cubanos), conforme informações da Secretaria de Estado de Saúde (Ses/MT). Atualmente, eles estão distribuídos em 102 dos 141 municípios mato-grossenses.

Mas, 21 vagas continuam desocupadas e aguardam reposição em Mato Grosso. E o plano do Ministério da Saúde (MS) é ampliar o programa em todo país. Conforme a Secretaria de Saúde, em 16 de agosto passado foi publicado o edital n 13, prevendo consulta aos municípios para manifestação de interesse em eventual participação no “Mais Médico” e 10 manifestaram interesse. “Porém, não há qualquer previsão por parte do Ministério da saúde para abrir novas vagas no momento, é apenas uma consulta”, destacou.

No Estado, alguns dos municípios já contemplados com o programa são Água Boa, Barra do Garças, Brasnorte, Colíder, Juína, Mirassol D’Oeste, Nova Canaã, Pontes e Lacerda, Porto Espiridião, Sorriso, Tabaporã, Tangará da Serra, Vila Rica e em Cuiabá. Na capital, atuam cinco médicos.

Um deles é o clínico geral Giacamo Luiz Tonial, que aderiu ao “Mais Médicos” em janeiro deste ano. De Cuiabá, atualmente ele atua na unidade do Programa de Saúde da Família (PSF) do Quilombo, onde atende em média 28 pacientes ao dia distribuídos em dois turnos (manhã e tarde).

“Um ganho particular meu refere-se a um maior contato com os pacientes com hanseníase. Até então, aqui em Cuiabá, meu trabalho era direcionando para a medicina em urgência, UTI, pronto socorro e pronto atendimento. Em São Paulo, com unidade básica, mas lá são poucos casos de hanseníase e era algo que eu sempre quis trabalhar. Hoje, é uma das primeiras doenças que procuro investigar no paciente, desde os que chegam com uma dor no pé ou uma mancha diferenciada no corpo”, comentou.

A demanda de pessoas diabéticas, hipertensas e com problemas renais também é expressiva. “Então, da minha vivência em UTIs, pacientes que só teriam exames solicitados posteriormente, eu acabo antecedendo para que quando ele chegue à consulta com o especialista já esteja com o exame pronto”, destacou.

Para o secretário municipal de Saúde (SMS), Huark Douglas Correia, os resultados do programa têm sido positivos. “Os médicos que integram o programa, a princípio, estão dentro das unidades básicas com compromisso de assistir à população dentro das estratégias do programa da família. Eles trabalham na promoção à saúde, que é voltada para o acompanhamento dos pacientes, como os diabéticos e os hipertensos, e na promoção da saúde da mulher e das crianças, o que melhora os indicadores de qualidade de vida evitando com que entrem para urgência e emergência”, comentou.

No Brasil, 37 mil profissionais do próprio país e do exterior participaram do programa, que segue recebendo críticas de entidades médicas. Segundo a pasta, atualmente, são 18,2 mil vagas preenchidas em 4 mil municípios e 34 distritos indígenas, beneficiando 63 milhões de pessoas.

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers), Fernando Matos alega que a principal crítica das entidades médicas é de que a origem do programa teve uso político: “Alguns milhares de médicos brasileiros se inscreveram e nunca foram chamados. O programa tinha cunho eleitoreiro. Havia vontade de passar dinheiro do pagamento dos profissionais para outros países”.

Matos se refere ao convênio do Brasil com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), que faz a intermediação dos contratos com médicos cubanos. A polêmica maior é porque parte da remuneração é enviada pela entidade diretamente ao governo de Cuba. Outro problema, segundo ele, é que não há como fiscalizar os profissionais que vêm de fora.

“Até hoje, os conselhos de medicina não sabem se os profissionais de outros países que vêm para o Mais Médicos são médicos ou agentes de saúde. Não há como fiscalizarmos isso. Alguns casos de falta de habilitação para o trabalho foram comprovados”, disse.

No país, participam do programa médicos cooperados (cubanos) e intercambistas (brasileiros médicos formados no Exterior ou de outras nacionalidades) de países como Peru, Uruguai, El Salvador, Venezuela, República Dominicana, Honduras, Palestina, Argentina, Itália, Portugal, Haiti, Guatemala, Espanha, México, Bolívia, Equador e Paquistão.

O contrato dos médicos é de três anos, com possibilidade de prorrogação. Os profissionais recebem bolsa-formação de R$ 11,8 mil e ajuda de custo inicial entre R$ 10 mil e R$ 30 mil para deslocamento para o município de atuação. Além disso, todos eles têm moradia e alimentação custeadas pelas prefeituras.

Ainda, conforme a Secretaria de Saúde, no próximo dia 20 de deste mês haverá um encontro de avaliação entre tutores e supervisores do programa. No dia 10 de outubro, está prevista uma aula presencial, em Cuiabá, do curso de especialização da última turma que ingressou no Estado. 


Autor:Redação AMZ Noticias


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