Sexta-Feira, 20 de Setembro de 2019

Acidentes de trânsito em Mato Grosso já causaram a morte de 400 pessoas em 2018




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Em um sábado de 2011, o ajudante de pedreiro Sandro Silva, então com 24 anos, quase morreu em um acidente de trânsito. Ele tinha acabado de tirar uma moto da concessionária e um amigo, motociclista, tinha pedido ajuda para transportar queijos de um sítio em Santo Antônio de Leverger a uma feira livre em Cuiabá.

Os dois trafegavam, cada um em uma moto, pela rodovia Palmiro Paes de Barros, que liga Cuiabá a Leveger, quando uma caminhonete S250 cabine dupla fez uma conversão irregular para entrar no bairro Nova Esperança, na Capital. Os pilotos das motos não conseguiram frear.

O primeiro a atingir a caminhonete foi Sandro, que com o impacto foi arremessado para o outro lado da pista e caiu sobre o parabrisa de um carro de passeio que seguia para Santo Antônio. O amigo também não conseguiu desviar da S250, mas como estava mais atrás sofreu um impacto menor, trincou o tornozelo.

O condutor da caminhonete parou, segundo as vítimas, embriagado mas, ao ver a gravidade do acidente, fugiu. Populares socorreram os pilotos das motos e um vídeo foi divulgado para mostrar o trabalho do Samu. Hoje, aos 31 anos, Sandro diz que renasceu. Ele ficou desacordado por 30 dias na UTI do Pronto-Socorro de Cuiabá, quando acordou percebeu que tinha perdido os movimentos da cintura para baixo.

Ficou mais de 3 meses na Sala Vermelha da unidade tratando de uma infecção e esperando por uma cirurgia na bacia, que só conseguiu através de uma liminar que o transferiu para o Hospital Geral Universitário (HGU), mas era tarde de mais, o osso tinha se consolidado fora do lugar. “Os médicos tiraram toda minha esperança de voltar a andar. Foi uma época de muito sofrimento e dor”, afirma.

Depois de passar por seis cirurgias e muita fisioterapia, três anos em uma cadeira de rodas, Sandro conseguiu ficar em pé, depois dar os primeiros passos em um andador, mais tarde a andar de muletas e agora, com alguma dificuldade, faz caminhadas. “A única explicação é a fé”.

Casado desde 2008, Sandro tem um filho de 10 anos e uma caçula de 8 meses, que lhe dão força para seguir em frente. Há seis meses teve o benefício do auxílio-doença suspenso pelo INSS e, sem renda, sobrevive graças à ajuda de parentes e luta para se aposentar por invalidez. “Faço bicos, mas não consigo manter a renda da família, preciso da aposentadoria”, afirma.

O motorista da S250 nunca foi encontrado pelo oficial de Justiça, portanto não responde ao processo. “Por ironia ele é meu vizinho. Não tem habilitação, no dia do acidente tinha bebido e hoje continua fazendo mal para as pessoas no trânsito”, acusa. “Ele é empresário, tem certa condição, se tivesse prestado socorro talvez eu tivesse um atendimento melhor e hoje teria condições de trabalhar”, acredita Sandro.

Fechando esta Semana Nacional do Trânsito, Sandro aconselha condutores que respeitem as leis para tornar as ruas menos hostil. “Eu perdi 3 anos da minha vida por causa da imprudência de um motorista, esse tempo nunca vou recuperar, mas podemos ter um trânsito mais sadio, é só respeitar a lei”.

Violência no trânsito - Sandro escapou da morte, mas segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) de janeiro a agosto deste ano, 405 pessoas no Estado não tiveram a mesma sorte, morreram vítimas de acidentes de trânsito. Só na região metropolitana foram 99 vítimas fatais nos oito primeiros meses deste ano.

Dados da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran) apontam que na maioria dos acidentes com mortes o motorista está embriagado. Segundo a Sesp, as principais causas de acidentes são a imprudência e embriaguez.

Desde o mês de abril, a Lei 13.546/2017 garante a aplicação de penalidades mais severas para quem for pego dirigindo sob efeito de álcool e causar acidente com vítima, mesmo que o teor alcoólico no organismo seja baixo de 0,34 miligramas de álcool por litro de ar expelido.

A alteração define que motoristas bêbados sejam enquadrados na lei por homicídio culposo (sem intenção de matar) cumpram pena de 5 a 8 anos de prisão, além de ter o direito de dirigir suspenso ou proibido. Antes da mudança, a pena era de 2 a 4 anos e o motorista envolvido podia ser liberado mediante pagamento de fiança.


Autor: Alcione dos Anjos com RDNews


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