Sexta-Feira, 19 de Outubro de 2018

Eleito deputado estadual, atual vice-prefeito de Marabá diz que não pagou boca de urna




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O cabelo está mais comprido do que o costume. Talvez não tenha tido tempo para ir ao salão. Ou talvez seja apenas adesão à moda mesmo. Sentado numa cadeira, com as mãos encostadas na mesa da sala de jantar de seu apartamento, no Bairro Novo Horizonte, em Marabá, o vice-prefeito Antônio Carlos Cunha Sá, ou apenas Toni Cunha, usava uma camiseta e short durante uma entrevista ao blog nesta segunda-feira, agendada horas depois que ele foi eleito deputado estadual pelo Pará.

A eleição de Toni surpreendeu adversários – também correligionários – e ele tenta desvincular sua chegada à Alepa (Assembleia Legislativa do Pará) ao prefeito Tião Miranda, a quem agradece pelo apoio direto por meio de um vídeo (somente) e diz que tudo foi fruto das mais de 40 caminhadas que fez, com cerca de quatro horas de duração e reuniões promovidas por amigos e simpatizantes de seu projeto político. “Trabalhamos juntos, eu e o prefeito Tião (Miranda) por Marabá, para o bem do povo de nossa cidade e os eleitores reconheceram isso nas urnas”, destaca.

Toni conta que recebeu recursos oficiais por meio do chamado Fundo Partidário, além de pessoas físicas que doaram valores não tão expressivos. “Rejeitei recursos de empresários, alguns dos quais prestadores de serviço para o poder público. Não era algo ilícito, mas entendemos que não era necessário no primeiro momento. Minha campanha foi marcada por pouco dinheiro, um número restrito de pessoas, material gráfico em quantidade pequena, mas usamos muita sola de bota”, diz o deputado eleito.

Toni diz que, embora incentivado por alguns correligionários, não se deixou seduzir pelo apelo para pagar pessoas para fazer boca de urna, nem mesmo permitiu que os apoiadores envolvidos diretamente na campanha tirassem dinheiro do próprio bolso com essa intenção. “Boca de urna é crime e compra de votos é um assalto e uma violência à democracia”.

Ele conta que, durante a campanha, bateu de porta em porta em milhares de residências e que sentiu que as pessoas tinham desejo de um novo modelo de política e reconheciam a chance de mudança nesta eleição. Por isso, ele não autorizou nem mesmo o derramamento de santinhos nos arredores dos locais de votação, como fizeram diversos candidatos. “Meu trabalho para convencer o eleitor foi de porta em porta, de bairro em bairro, caminhando para encontrar as pessoas”.

Dos 33.500 votos recebidos, 26.958 foram em Marabá. As cidades mais expressivas em que recebeu votos fora de sua atuação como vice-prefeito foram Itupiranga, São João do Araguaia, São Domingos do Araguaia, Nova Ipixuna, Belém (mais de 200), 650 em Parauapebas, 700 em Jacundá, Goianésia, Breu Branco, mas também em algumas cidades onde não esteve pessoalmente, o que lhe deixou bastante surpreso, uma vez que abriu mão de fazer divulgação no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão.

Sobre o fato de alguns políticos tradicionais em Marabá não levarem a sério a candidatura dele e também sua eleição, o delegado licenciado da Polícia Federal argumenta que ninguém domina o povo e foi com ele que fez uma aliança de trabalhar em defesa dos seus direitos. “Só tive apoio declarado de um vereador, que foi o Márcio do São Félix, que ajudou como pôde, além do prefeito, que fez um vídeo. A maturidade nas eleição está chegando e o principal aliado de um político é a população, não necessariamente outros políticos”.

Questionado se já começa a preparar as malas para mudar-se para Belém ou se vai usar os últimos três meses de 2018 para continuar sua atuação como vice-prefeito de Marabá, Toni foi incisivo ao afirmar que vai trabalhar até o dia 31 de dezembro no cargo que ocupa desde janeiro de 2017. “Estou vice-prefeito e tenho orgulho deste cargo e de ter sido decisivo para a eleição deste governo e ainda de ter tomado algumas medidas para ajudar o prefeito Tião Miranda, inclusive, buscando-o para a posse quando renunciou. Tenho a sensação de dever cumprido. Vou desempenhar essa função até o último dia do mandato com muito afinco. Vou continuar morando em Marabá e vou a Belém apenas para as sessões na Assembleia Legislativa”.

Violência no Estado - Como delegado da Polícia Federal, Toni Cunha avalia que o problema de segurança do Estado passa pelo drama social e que 80% dos criminosos são estimulados a ingressar nesse mundo em função das dificuldades sociais em que vivem. “O índice de desenvolvimento humano de nosso estado é muito baixo. E isso é propulsor para assediar o jovem ao crime. Precisamos lutar contra a exploração de nosso estado para que tenhamos mais desenvolvimento, para que os pais possam levar boas condições para suas famílias”.

Por outro lado, Toni adverte que o governo do Estado precisa aumentar o número de policiais para enfrentar a onda de violência que assola todas as regiões do Pará. “É preciso valorizar os policiais, principalmente o militar, porque pagamos um dos piores salários do País”.

Dúvida aqui, certeza lá - Indagado sobre que candidato vai apoiar para governador no segundo turno, no Pará, Toni Cunha disse que só tomará essa decisão depois de ouvir seu “grupo”, argumentando que fez uma campanha independente e que não deve favores a nenhum político. “Quem quer que for o governador eleito, vou apoiar no que for legítimo, honesto e vou criticar o que estiver errado. Vou exigir que respeitem o sul e sudeste do Pará, que são a locomotiva deste Estado”.

Quando o assunto é o candidato que vai apoiar para presidente da República, o vice-prefeito de Marabá não tem dúvida: Jair Bolsonaro. “Votei nele no primeiro turno por ser um voto útil. Ele (Bolsonaro) é um homem que reputo ser honesto, embora não seja um estadista com as qualidades desejáveis. Vamos ter um segundo turno num ambiente com dois extremos, o que não é bom. Precisaríamos de um candidato moderado, mas isso não será possível. Mas o candidato vencedor terá de manter postura de pacificador”.

Ao descartar votar em Haddad, do PT, Toni Cunha pondera que é preciso salientar que a corrupção não está no partido, lembrando que quem a pratica são pessoas físicas e não jurídicas.

Por fim, nossa reportagem quis saber se Toni estaria disposto a abrir mão do salário de deputado estadual para continuar recebendo o de delegado da PF, como fez na hora de assumir o cargo de vice-prefeito. Ele observou que a lei não permite, diferente do cargo de vice-prefeito. “Meu salário de delegado federal é maior que o de deputado, também. Se houver alteração legal, abro mão do salário de deputado”.


Autor:AMZ Noticias com Zé Dudu


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