Sexta-Feira, 06 de Dezembro de 2019

Universidade do Pará entrega mais de 500 espécimes de insetos ao acervo do Museu Nacional




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A primeira doação de instituições do Norte do Brasil para ajudar a reconstruir o acervo do Museu Nacional foi concretizada na segunda-feira (12), na sala de recitais do Centro de Ciências Sociais e Educação (CCSE), da Universidade do Estado do Pará (Uepa), em Belém. Além da devolução de 314 espécimes emprestados à instituição paraense pelo Museu Nacional, a Uepa doou 200 peças da Coleção Zoológica Dr. Joachim Adis.

Graças à parceria entre pesquisadores do Rio de Janeiro e a Uepa, uma parte do legado entomológico foi poupada do incêndio que destruiu o Museu Nacional, por ter sido disponibilizada, anteriormente, para auxiliar trabalhos de mestrandos e doutorandos da instituição, orientados pela professora Ana Lúcia Gutjahr.

“Esse seria um simples ato curatorial se não houvesse a importância dessa pequena parte do acervo entomológico do Museu Nacional que foi destruído pelo sinistro. A perda é de valor incalculável para a humanidade, para a ciência e para nós, pesquisadores”, enfatizou a professora.

Solidariedade - O acervo do Museu Nacional tinha mais de 5 milhões de exemplares pertencentes a todos os grupos taxonômicos. “As espécies são as únicas que restaram. Como forma de incentivo e de prestar solidariedade estamos doando alguns espécimes amazônicos para a reestruturação dessa coleção”, disse Ana Lúcia Gutjahr. Durante o evento, a parceria foi reafirmada para que os pesquisadores da Uepa possam fazer coletas em campo e doar para o Rio de Janeiro, minimizando custos e questões logísticas.

Entre as doações estão gafanhotos-pigmeus e esperanças - insetos miméticos, de coloração em tons de marrom ou verde, característica do habitat terrestre, em meio às folhas secas. Os exemplares do pequeno acervo foram coletados em diversas regiões do Brasil e em outros países da América Latina, como a Colômbia, caso do exemplar mais antigo, que data do início do século XX, o que consolida a importância social, cultural e histórica.

Expedições - O curador da Coleção de Insetos do Museu Nacional, Pedro Dias, veio a Belém receber as doações. “Esse é um gesto muito bonito e representativo para nós. Tínhamos um grande museu, que era um orgulho do nosso país. A instituição científica mais antiga da América Latina, com 200 anos de história. Tivemos muitas expedições para a Amazônia, sobretudo para o sul do Pará, em áreas que hoje não são mais áreas de florestas e, possivelmente, as espécies não existem mais, representando uma perda de biodiversidade”, contou Pedro Dias.

“O Museu é feito de pessoas, mais do que o acervo e das paredes. As pesquisas não pararam, os alunos continuam com seus projetos indo a campo. E contar com a parceria de colegas e instituições como a Uepa é importante para nós, para a continuação das pesquisas”, complementou. O diretor do Centro de Ciências Sociais e Educação, Anderson Maia, parabenizou a equipe de trabalho da Coleção Zoológica da Uepa. “Agradeço aos alunos e à professora por não medir esforços com o avanço da pesquisa no CCSE”, ressaltou.

O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Renato Teixeira, relembrou a infância no Rio de Janeiro. “Estudei em escolas públicas, e a primeira vez que fui ao Museu Nacional foi em uma visita escolar. Quando tive meus filhos sempre fiz questão de levá-los lá, também. Este ato é de extrema importância pelo fato de a Uepa estar presente na reconstrução do Museu e estimular outras a fazerem o mesmo, neste momento em que as instituições precisam estar mais unidas”, concluiu.


Autor: AMZ Noticias com Dayane Baia


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