Segunda-Feira, 16 de Dezembro de 2019

Em um único fim de semana, voluntários recolhem 20 toneladas de lixo do Rio Araguaia




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Um grupo voluntário composto por associações de pescadores e famílias de ribeirinhos retirou, em um único fim de semana, 20 toneladas de lixo do Rio Araguaia, em Goiás. Entre o que foi retirado da água estavam garrafas, pneus e até eletrodomésticos. A força-tarefa é feita há 12 anos, sempre após a alta temporada de turistas, que chegam a 500 mil por ano.

Aos 72 anos de idade, o presidente da Associação de Moradores de São José dos Bandeirantes, Vicente Pereira de Brito, na região noroeste de Goiás, disse que fica triste cada vez que o trabalho é concluído.

“Eu não me sinto satisfeito. Eu me sinto prejudicado, porque esse rio ele não é estadual, ele não é federal. Ele é da natureza. E, para nós, preservá-lo é preservar a natureza. É a casa nossa. É a casa minha, sua e de quem mais vim, entendido? Então, eu acho que deve manter e lutar para preservar”. “Lutar para mantê-lo conservado cada vez mais”, disse o morador.

A comunidade de São José dos Bandeirantes, em Nova Crixás, tem cerca de 2,5 mil habitantes. A principal atividade no local é o turismo de pesca esportiva. Quando acaba a temporada de praias, com a chegada do período de chuvas, aparecem milhares de objetos no rio. A ribeirinha Aparecida Maria da Silva e o funcionário público Arlan Dias Roza afirmam que já encontrou de tudo no Araguaia. “Uma cadeira, um tambor. Nossa, mas que tanto de lixo. Aqui deve ter uns 300 quilos ou mais, tem geladeira, tem fogão velho, tem muita coisa pesada aí”, disse Roza.

Em cinquenta quilômetros do Rio Araguaia, ficam instalados cerca de 200 acampamentos. Quando passa a temporada, ficam para trás a estrutura e o lixo, sobretudo plástico, produzido no local. A força-tarefa de ribeirinhos para limpar a região é uma corrida contra o tempo, já que quando o período chuvoso chega, carrega todo o material para o curso d’água.

Reprodução de peixes - Parte do lixo fica preso em arbustos e barrancos, o restante vai parar em lagos que servem como berçário para os peixes. Na época da piracema, quando os animais fazem a desova, o habitat fica extremamente poluído, comprometendo a reprodução e, até mesmo, a vida das famílias que dependem da pesca. “Várias vezes eu já me deparei com situações em que eu chorei. Chorei porque eu sabia que eu não tinha condição de tirar aquilo dali de alguma forma. Sozinha eu não daria conta”, desabafou Luzia Pinto de Freitas, presidente da Colônia de Pescadores.

O guia de pesca Hugo Freire afirma que o que mais é encontrado no rio são garrafas plásticas boiando. De acordo com ele, uma única garrafa demora até 450 anos para se decompor. Já o pneu, também achado dentro d’água, pode ficar por ali por até 600 anos. “Nossa, o que a gente mais vê rodando aqui é garrafa pet, isopor, pontinha de isopor, esses ‘trem’ assim”, disse.


Autor: Redação AMZ Noticias


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