Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2019

Péssimas condições das rodovias do Araguaia podem comprometer renda do produtor rural




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De um lado, o otimismo com a safra de soja estampado no rosto de muitos produtores mato-grossenses. Do outro, a preocupação com um problema recorrente e que deve voltar a pesar no bolso na hora da colheita: a falta de logística para escoar os grãos. Na região leste do estado, este misto de sentimentos toma conta dos agricultores.

A MT-109, que liga o município de Canarana à Querência, é um dos alvos das reclamações. Na teoria, a estrada deveria ter a manutenção garantida por meio dos recursos do Fundo Estadual de Transporte e Habitação – o Fethab – que incide sobre as vendas de soja, algodão e gado, madeira e óleo diesel. Mas, na prática, segundo os agricultores, a realidade é bem diferente. A rodovia está em péssimas condições, estampando o abandono e a falta de manutenção nos (poucos) trechos pavimentados.

O produtor rural de Querência, André Bonmamm, conta indignado que no município os únicos 5 quilômetros desta rodovia que foram asfaltados pelo estadual, estão cheios de buracos. “Com uma contribuição anual de R$ 38 milhões, o governo não consegue asfaltar 5 quilômetros!?”, desabafa André. A reclamação é endossada pelos inúmeros motoristas que passam pela rodovia, principalmente aqueles que precisam trafegar por ela para transportar cargas.

De acordo com a Secretaria de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso (Sinfra), ainda não há previsão para a conclusão da pavimentação da MT-109, assim como a da MT-110 – também na região. A única expectativa diz respeito à MT-020, que deve estar completamente asfaltada até o fim de 2019.

Vale lembrar que desde 2016, quem produz soja, algodão ou gado em Mato Grosso paga “duas vezes” a contribuição do Fethab. O chamado “Fethab 2” foi criado com o objetivo de ter 100% do dinheiro destinado à obras de infraestrutura e com prazo definido para terminar: 31 de dezembro deste ano. Porém, na prática o destino dado ao Fethab 2 tem gerado insatisfação entre os agricultores. Safra após safra, os problemas são os mesmos, e quem depende das rodovias, vê o sonho do asfaltamento ficar apenas no papel.

Mas não são apenas as rodovias estaduais que preocupam os agricultores do leste de Mato Grosso. A BR-158, considerada uma das principais rotas para o escoamento dos grãos produzidos na região e que vão para os portos do arco-norte do país, há muito tempo também deixa a desejar. 

O agricultor Cezar Augusto Tisorti é dono de uma fazenda localizada às margens da “158”. Só que a proximidade não se tornou uma vantagem logística. E o motivo é simples: muitos trechos da BR estão praticamente intransitáveis, segundo o agricultor, que está apreensivo com o período chuvoso. O excesso de água tende a piorar a condição da pista nos próximos meses, dificultando o transporte e – consequentemente – comprometendo a renda do produtor.

Por ser uma rodovia Federal, a BR-158 é de responsabilidade do Dnit – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, que não tem previsões sobre a conclusão do asfaltamento da estrada na região.


Autor: Luiz Patroni com Canal Rural


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