Quinta-Feira, 25 de Abril de 2019

Parceria privada promove a restauração de 156 hectares de mata na região do Rio Xingu




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Assim como as práticas agrícolas, plantar floresta exige a combinação de elementos fundamentais como as condições climáticas e o efetivo humano. Com a antecipação das chuvas na região do Xingu o plantio em 2018 das áreas a serem restauradas sofreu alterações na agenda em relação aos anos anteriores.

¨Esse ano começou a chover no mês de outubro e tivemos algumas dificuldades por conta do volume maior de água, o que estendeu mais a nossa agenda¨, explica Guilherme Pompiano, técnico em restauração florestal do Instituto Socioambiental (ISA).

Só com a produção da Associação Rede de Sementes do Xingu (ARSX), o ISA plantou 156 hectares de áreas com muvuca nos municípios de Canarana, Água Boa, Querência, Bom Jesus do Araguaia e São Félix do Araguaia (MT). Ao todo foram cerca de 14 toneladas de sementes de 108 espécies diferentes implantadas nas fazendas e assentamentos rurais da região.

As ações fazem parte do projeto Amazônia Live, do Rock in Rio, que entre 2016 e 2017 plantou mais de um milhão de árvores no bioma Amazônia. Em 2018 o projeto continua em vigor via parceria com o Fundo Brasileiro para Diversidade (Funbio) e a organização Conservação Internacional (CI) e deve gerar como resultado mais de meio milhão de novas árvores.

Parcerias que funcionam -  O ISA fornece as sementes e o acompanhamento técnico para as fazendas interessadas em restaurar as áreas. Em contrapartida o proprietário precisa disponibilizar o maquinário e pessoal disponível para ajudar no trabalho de misturar as sementes e plantar.

 ¨Tudo começa no início do ano quando fazemos o diagnóstico e medimos o tamanho das Áreas de Proteção Permanente (APPs) que serão restauradas. Em seguida em cada fazenda é preciso que façam o preparo da terra para controlar o capim e também descompactar o solo onde será plantado a muvuca¨, explica Guilherme.

A muvuca não é igual para todos os plantios. Lara Aranha da Costa, técnica em restauração do ISA, explica que para cada área é feita uma lista de sementes diferentes conforme o diagnóstico e essa composição é o que determina o valor da muvuca por hectare. ¨Cada semente tem valor variado e por isso o preço final muda. Esse ano o valor médio do custo da muvuca por hectare foi de R$ 2.259,42¨, conta.

Paulo Bezerra Sobrinho, gerente da fazenda Rio Fontoura, do Grupo Rocheto, localizada em São Félix do Araguaia, considera importante a continuação de parcerias como essa para a restauração das APPs das fazendas. ¨Há três anos plantamos muvuca aqui e percebemos que realmente é eficiente para formação das florestas. No começo os funcionários não entendiam muito bem mas hoje todos vêem os benefícios¨, comenta.

Em dezembro a fazenda implantou mais 13 hectares, totalizando 34 hectares já plantados durante toda a parceria.  ¨Foram quatro áreas entre os plantios de soja dentro da fazenda. Esse foi o nosso último trabalho do ano. Tivemos que esperar passar os dias mais chuvosos para finalizar o trabalho e assim finalizar as atividades¨,  diz Júnior Micolino, técnico em restauração do ISA.

José de Arimateia, um dos operadores de máquinas que trabalha há 9 anos na fazenda, acompanha a implantação das áreas desde 2016 e comenta que considera o trabalho como muito importante. ¨Eu apoio totalmente porque recupera a natureza e a gente que mora aqui sente falta disso, o espaço da lavoura é muito grande¨, diz.

Produção e demanda de sementes -  As sementes que servem de insumo para esses plantios vem do trabalho dos 568 coletores da ARSX que desde de janeiro começam a se organizar para entregar os pedidos ao longo do ano. ¨Há árvores que produzem sementes no primeiro semestre e por isso no início do ano já é preciso coletar se não se perdem¨, explica Claudia Araújo, diretora da ARSX.

Em 2018 a rede comercializou 20 toneladas de sementes repassando para os coletores um total de R$ 482 mil. Além do ISA, a ARSX conta com clientes como a Brasil PCH, World Wide Fund for Nature (WWF), Natura, Instituto Federal do Mato Grosso (IFMT-campus Confresa) e Comissão Pastoral da Terra (CPT), Associação de Educação e Assistência Social Nossa Senhora da Assunção (ANSA) entre outros. Só esse ano as sementes vendidas foram direcionadas para restaurar mais de 400 hectares.

¨Todos os anos temos a expectativa de que melhore a demanda, como no ano passado em que batemos o recorde em venda de sementes nesses dez anos de existência da rede. Mas isso depende muito da conjuntura política ambiental¨, diz Claudia.


Autor: Tatiane Ribeiro com ISA


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