Domingo, 24 de Marco de 2019

Projetos devem injetar quase R$ 120 bilhões em investimentos no estado do Pará até 2030




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Uma montanha de investimentos, maior que a cordilheira de Carajás, está prevista para se abater sobre o Pará de agora para frente, até 2030, em setores estratégicos da economia. As informações constam de um estudo de 62 páginas assinado pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), segundo o qual R$ 118,4 bilhões serão pulverizados em diferentes empreendimentos que vão fazer o estado ferver.

Se saírem do papel e forem consolidados, em apenas 12 anos o Pará poderá dobrar praticamente todo o seu Produto Interno Bruto (PIB). Atualmente, o PIB paraense é de R$ 138,1 bilhões, que vem se arrastando devagar desde a época das caravelas que pautaram o descobrimento do Brasil.

Os novos negócios que se projetam no horizonte norteiam as perspectivas para o desenvolvimento econômico, inclusive podem ser casados com políticas públicas a serem implementadas pelo governador eleito Helder Barbalho que visem à atração de projetos, dinamizem o potencial fiscal e tributário do Pará e gerem emprego e renda à população, que atualmente é a que recebe uma das piores remunerações do país e concentra todo o azar de mazelas.

É preciso, todavia, não perder de vista o fato de que o problema maior que aflige o estado é notadamente social e nem toda a injeção financeira do mundo é capaz de superá-lo, caso investimentos prioritários não sejam feitos na base: educação, saúde, segurança, saneamento e combate à pobreza.

Pacote regional - Das 12 regiões de integração definidas pelo Governo do Estado, quase todas serão alvo de investimentos maciços, nas contas da Fiepa. A região do Baixo Amazonas, polarizada por Santarém, é a líder, com R$ 37,74 bilhões disseminados nas áreas de energia, infraestrutura e logística. O município de Santarém sozinho deve abocanhar mais de 80% dos investimentos previstos, a começar pelo complexo hidrelétrico do Tapajós, estimado em R$ 30 bilhões. Além disso, cerca de R$ 1 bilhão serão aplicados em projetos de infraestrutura e logística no município por três diferentes visionários. Além disso, R$ 6,4 bilhões devem chegar na cacunda de projeto de mineração de bauxita em Oriximiná.

Já a região de Carajás, que tem Marabá como polo, aparece em segundo lugar, com R$ 32,71 bilhões previstos, a maioria no próprio município de Marabá. Segundo a Federação, as regiões do Araguaia (R$ 12,04 bilhões) e Tapajós (R$ 12,05 bilhões) têm expectativa de receber juntas R$ 24 bilhões, a partir da instalação de projetos estruturantes, enquanto as regiões do Guamá (R$ 8,03 bilhões), Tocantins (R$ 7,69 bilhões), Xingu (R$ 6,32 bilhões), Rio Caeté (R$ 80 milhões), Rio Capim (R$ 210 milhões) e Guajará (R$ 1,57 bilhão) devem abocanhar, juntas, R$ 23 bilhões.

Com base nisso, nossa reportagem compilou os futuros novos negócios que prometem dar um “upgrade” na economia do sudeste do Pará (regiões de Carajás e Araguaia) nos próximos anos e até atualizou informações divulgadas pelos próprios investidores.

Araguaia mineral -  A Fiepa estima que, se vingarem até 2030, a região do Araguaia vai gerar quase 56 mil empregos a partir de três empreendimentos da indústria extrativa mineral que prometem sacudir o sul do Pará.O município de São Félix do Xingu é quem deve receber a maior parte da injeção de recursos previstos, de R$ 9,4 bilhões, com a finalidade de erguer o projeto Jacaré, de extração de níquel laterítico e saprolítico. Quem assina o empreendimento é a multinacional Anglo American, gigante da indústria extrativa.

São Félix também vai receber a lavra do projeto Fosfato Santana, da multinacional canadense MbAC Fertilizantes, que mira transformar fosfato em adubo. Segundo a Fiepa, a previsão de investimentos é de R$ 1,19 bilhão, que será partilhado, também, com o município de Santana do Araguaia. É previsto ainda o projeto Araguaia, em Conceição do Araguaia, orçado em R$ 1,45 bilhão e que visa à exploração de níquel.

Carajás estatal - A grandiosidade dos investimentos de Carajás se sustenta em projetos ambiciosos e, ao mesmo tempo, com execução duvidosa, como a Ferrovia Paraense, de autoria do Governo do Estado e orçada em R$ 14 bilhões, mas que ninguém sabe se terá início, meio e fim — principalmente com as trocas de governos do Pará e do Brasil. Marabá polarizaria o investimento, como eixo entre os traçados norte e sul do monstrengo de ferro pelo estado. O que não se sabe ainda é quem estaria de fato disposto a bancar, sem enrolação, um projeto de tal envergadura financeira num estado que só é enxergado com muito vigor por conflitos no campo e por sua importância na balança comercial.

Além disso, Marabá estaria no olho de um furacão de R$ 12 bilhões para a construção de uma hidrelétrica no município. Apesar de a “fofoca” da hidrelétrica estar aparentemente adormecida, foi apurado que a usina é a segunda na fila da lista de desejos de implantação de grandes projetos de energia pelo Governo Federal e deve ganhar fôlego no anseio desenvolvimentista do presidente eleito Jair Bolsonaro, que está declarada e assumidamente disposto a limitar o poder de atuação de órgãos ambientais.

A hidrelétrica de Marabá já teve sua viabilidade aceita com sucesso pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pode sair do papel nos próximos anos, uma vez que o Tribunal de Contas da União (TCU) já pediu que o Poder Executivo dê parecer definitivo para garantir a viabilidade de sua execução futura. Nossa reportagem descobriu que a hidrelétrica já consta de estudos da Agência Nacional de Água (ANA) como “alta prioridade” e que, por isso, será erguida mais cedo ou mais tarde — e, aliás, pode ser mais cedo do que se imagina com novos governos a galope.

Além da ferrovia e da hidrelétrica, Marabá também será canteiro de obras dos R$ 520 milhões previstos para o derrocamento do Pedral do Lourenço, prometido inclusive pelo governador eleito Helder Barbalho (quando era ministro da Integração Nacional), mas parado pela burocracia que reina no país.

Carajás privado - Não obstante os desejos de abrir caminho para o progresso meramente econômico por iniciativa estatal, ainda há previstos para a região investimentos do capital privado. A mineradora multinacional Vale que o diga. A maior manda-chuva do Pará divulgou este ano que vai investir 1,1 bilhão de dólares na segunda expansão do projeto de extração de cobre Salobo, em Marabá. Em moeda nacional, no câmbio de hoje, serão investidos por ela cerca de R$ 4,27 bilhões a partir de 2019.

Fora do eixo de Marabá, a Vale também pretende gastar R$ 1,3 bilhão na expansão da capacidade de produção de sua mina de ferro Serra Leste, em Curionópolis. E o Blog adiciona outro investimento anunciado por ela este ano e não contemplado no levantamento da Fiepa: o projeto Gelado, de reaproveitamento de minério de ferro em rejeito, no município de Parauapebas, que deverá arregimentar 428 milhões de dólares dos cofres da mineradora, o equivalente a R$ 1,66 bilhão.

Além de todos esses investimentos, há a implantação do projeto de cobre Pedra Branca, no município de Água Azul do Norte, pela multinacional Avanco; ampliação da capacidade operacional da siderúrgica Sinobras, em Marabá; e novos investimentos não captados pelo sensor da Fiepa, como a abertura de novas minas de ferro em Parauapebas (N1 e N2) pela Vale; a expansão do projeto de ferro S11D, em Canaã dos Carajás; e o ressuscitar do projeto Cristalino, em Curionópolis.

Conforme o prognóstico da Fiepa, Carajás sozinho poderá polarizar a criação de 121 mil empregos com carteira assinada até o final da próxima década. Até lá, a estrada para correção das bases de investimentos em políticas sociais equivocadas e que não deram certo no estado é longa. E se esses investimentos, os sociais, não forem acelerados, o progresso do Pará será mera utopia. Inatingível.


Autor:AMZ Noticias com Zé Dudu


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