Sexta-Feira, 24 de Maio de 2019

Catadores de recicláveis de Água Boa ganham caminhão como prêmio após intervenção da Justiça




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A semana começou com a realização de um sonho para os 13 integrantes da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis do Araguaia (Acamara) e para a Defensoria Pública de Mato Grosso (DPMT). Seis meses após serem selecionados como ganhadores de um prêmio, em dinheiro, no qual a Defensoria os inscreveu, eles receberam o bem, um caminhão, ferramenta de trabalho essencial para a atividade, no domingo (7/4).

O veículo da marca Iveco, ano 2013, com capacidade para transporte de oito toneladas foi comprado em Curitiba, por R$ 110 mil. Ele foi pago com recursos disponibilizados pelo Comitê Interinstitucional Gestor de Ações Afirmativas da Justiça do Trabalho da 23ª região, Ministério Público do Trabalho e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O valor total do prêmio foi de R$ 126 mil, dinheiro que, segundo o projeto, será usado ainda para aquisição de novos equipamentos de proteção individual (EPIs), para a aquisição de uma habilitação a ser feita por um dos integrantes da Associação e para a compra de novos uniformes.

A defensora pública que atua na comarca de Água Boa, Carolina Weitkiewic, formalizou um projeto, em nome da Acamara, em setembro do ano passado. A ideia era que ela concorresse à verba disponibilizada em edital, cujo objetivo era selecionar projetos sociais para receberem recursos originados de condenações por danos morais coletivos, em ações judiciais.

E em novembro de 2018 o “Reciclando Dignidades” foi selecionado e desde então, os integrantes da Associação, com auxílio da defensora, passaram a buscar por um veículo, em todo o país, que atendesse as necessidades dos catadores e se enquadrasse no valor disponibilizado.

“O foco era encontrar o melhor veículo pelo menor preço. Achamos esse caminhão em Curitiba e fechamos o negócio. Ele já vem com as estruturas de gaiolas para armazenar o material, o que para a Associação é muito adequado. Quase não acredito que isso é verdade. É a realização de um sonho para eles e para nós, pois há mais de um ano, quando os conheci, se me dissessem que isso aconteceria, eu não acreditaria”, festeja a defensora.

Novo Ciclo - Com o caminhão a Associação deixará de pagar frete no valor mensal que varia de R$ 2 mil a R$ 2,5 mil para fazer o transporte do material reciclável (papelão, papel, plástico e latinhas) até o galpão onde fazem a seleção do que será descartado e do que poderá ser comercializado.

“Esse dia é especial em nossas vidas, não tenho palavras para descrever o trabalho da Carolina e como ela marcou positivamente a nossa história. Desde que a conhecemos, tivemos apoio para sair da informalidade, tivemos reconhecimento social, tivemos auxílio para melhorar a nossa apresentação e condições de trabalho. Ela nos garantiu autoestima, dignidade, esperança e, de fato, um futuro melhor”, afirma a presidente da Associação, Vanuza Gonçalves da Silva.

A afirmação da presidente tem relação com o tratamento que eles receberam da Defensoria Pública, desde que foram identificados como cidadãos que viviam à margem da sociedade, alguns sem identidade pessoal, todos, sem identidade profissional, tratados como “os invisíveis”, como frisa a defensora.

“Um deles veio buscar identidade e verifiquei que ele se identificava como catador de material reciclável e fui atrás, para saber se tinha mais gente fazendo a mesma coisa na cidade. Os identifiquei e descobri que estavam tentando formalizar a atividade. Desde então, isso foi em fevereiro de 2018, não os deixei mais”, conta a defensora.

Carolina conta que por meio da Defensoria Pública viabilizou a formalização da Associação e a partir de então, organizou uma verdadeira campanha de apresentação dos trabalhadores para a cidade. Explicando que o trabalho que faziam era digno, autônomo e auxiliava a sociedade como um todo, por meio da retirada de toneladas de materiais do meio ambiente, que sem eles, seria só lixo.


Autor: AMZ Noticias com Márcia Oliveira


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