Quinta-Feira, 20 de Junho de 2019

A esquerda da Alemanha e a do Brasil




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Após a segunda guerra mundial, a Alemanha foi dividida em ocidental e oriental. Ambas foram se unificar somente em 1990, após a queda do muro de Berlim. Nas recentes discussões políticas do Brasil, escutei várias vezes pessoas dizendo que o lado da Alemanha que deu mais certo foi o lado capitalista. O lado oriental ficou sobre controle da União Soviética. Mas e o lado ocidental? Era governado por quem? E se eu te contar que a Alemanha Ocidental foi governada durante um tempo por um partido ligado a Internacional Socialista, isso te surpreende?

A Internacional Socialista (IS), para quem não conhece, é uma instituição que reúne partidos políticos social-democratas, socialistas e trabalhistas. No Brasil o Partido Democrático Trabalhista é o único partido ligado a instituição. Mas na América Latina muitos outros partidos fazem parte da IS, inclusive o partido Vontade Popular, do venezuelano Juan Guaidó. Antes que alguém venha falar de teorias de conspiração que envolvam fóruns que reúnem partidos políticos, é preciso lembrar que os partidos liberais no mundo também se organizam através de uma instituição, a Internacional Liberal.

O Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) é o segundo partido mais antigo do país, e no pós segunda guerra, sempre foi o maior ou o segundo maior partido em representação política. Durante períodos como, entre 1969 a 1982 e de 1998 a 2005, o partido esteve à frente do governo. Muitas das políticas públicas existentes no país e que garantem o desenvolvimento da Alemanha, possuem o DNA da centro-esquerda.

A Alemanha é um país com uma política social muito avançada, e onde o estado participa de forma ativa da construção do país e da defesa dos interesses nacionais. Neste ano de 2019 estamos assistindo algumas destas ações, a Alemanha criou um fundo para proteger empresas de aquisições estrangeiras, a ação prevê nacionalizações parciais e temporárias para garantir a existência de “campeões nacionais” que concorram com os EUA e a China.

Enquanto o Brasil corta bolsas de pesquisa, a Alemanha anuncia que investirão 160 bilhões de euros no ensino superior e na pesquisa científica entre 2021 e 2030. As universidades Alemães terão muito dinheiro para fazer “balburdia”. Sim, da próxima vez que forem fazer uma lista de países com políticas de esquerda no mundo, coloque a Alemanha também.

O debate político atual do Brasil precisa ser regado com conhecimento histórico e filosófico. No mundo existem diferentes correntes de pensamento como conservadores, liberais, liberais sociais, sociais democratas, trabalhistas, socialistas, entre muitas outras. Não se pode simplesmente reduzir o debate político a uma luta entre capitalismo versos comunismo, até mesmo por que esse debate é pouco prático e está há mais de 100 anos atrasado na história, mais precisamente, está lá no século XIX. Neste meio tempo, tanto a esquerda quanto a direita se reinventaram, isso devido as diversas experiencias e crises vivenciadas pelos governos.

A centro esquerda deu certo em muitos locais do mundo como, Portugal, Alemanha, Dinamarca, Noruega entre muitos outros. Eu acredito que no Brasil podemos seguir o mesmo caminho e construir um país com qualidade de vida, com mais igualdade e oportunidades.

*Caiubi Kuhn é geólogo e mestre em Geociências pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)


Autor: Caiubi Kuhn


Comentários

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