Quarta-Feira, 21 de Agosto de 2019

PMs de grupo de elite do Pará cantam 'arranca a cabeça e deixa pendurada' em aniversário da tropa




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Em um vídeo gravado durante um evento comemorativo da tropa de elite da Polícia Militar do Pará, a Rotam, o batalhão marcha em direção ao governador do estado, Helder Barbalho, e canta em coro: “Arranca a cabeça e deixa pendurada. É a Rotam patrulhando a noite inteira. Pena de morte à moda brasileira”.

A Constituição veda a pena de morte, salvo em caso de guerra declarada. O vídeo foi gravado na última quarta-feira (31) na comemoração pelos 13 anos do Batalhão de Polícia Tática (Bpot), conhecido como Rotam, unidade preparada para atuar em ocorrências de alta complexidade.

Em nota, o governador Helder Barbalho disse que não não ouviu a letra cantada pelos militares na cerimônia, mas informou que não compactua com nenhum tipo de conduta ilegal por parte de qualquer servidor do Estado do Pará. Ainda de acordo com o governador, ao saber do teor da canção, determinou que o comando da Polícia Militar adote procedimentos para abolir esse tipo de canto.

Em nota, a Polícia Militar do Pará informou que a canção entoada durante a cerimônia de aniversário do Batalhão de Polícia Tática não se trata de um cântico oficial da Rotam ou de qualquer outra unidade da instituição. A PM afirmou que atua de acordo com os princípios do Estado Democrático de Direito, com o objetivo maior de salvaguardar e garantir o respeito à vida, a segurança da sociedade e a liberdade.

A instituição disse ainda que vem trabalhando intensamente nas ações de policiamento de proximidade com a comunidade paraense, por meio de reuniões, debates e audiências públicas que visam aperfeiçoar cada vez mais a missão principal da corporação, que é preservar vidas. Em nota, a Corregedoria da Polícia Militar informou que ao entoar o grito de guerra – prática comum entre batalhões da PM –, os policiais não cometeram crime de apologia ao crime, previsto no Artigo 51 do Código Penal Militar. 

Mortes pela polícia - Mais de 5,5 mil assassinatos não estão nas estatísticas oficiais de mortes violentas do Brasil em 2018. São pessoas mortas pela polícia em 18 estados do país que contabilizam as vítimas decorrentes de ações policiais de forma separada. No Pará, a alta no número de mortes por policiais em 2018 fez com que o estado, que tinha registrado uma queda de 2% no total de mortes violentas, passasse a figurar na lista dos únicos quatro estados com um aumento de um ano para o outro. Agora, o crescimento é de 3,6%.

No ano passado, foram registradas 612 mortes por policiais no estado, uma alta de quase 40% em relação a 2017, que teve 372 casos. Em 2019, a tendência de alta parece se confirmar: já são mais de 200 mortes em ações policiais nos primeiros três meses do ano. No mês de maio, quatro policiais foram presos por envolvimento em uma chacina que deixou 11 pessoas mortas em um bar no bairro do Guamá, em Belém. Na ação criminosa, o grupo entrou no estabelecimento e executou as vítimas a tiros.

A Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social do Pará diz que vem tomando medidas para reduzir o número de mortes violentas como um todo no estado. A pasta diz que colocou viaturas antes usadas no serviço administrativo na atividade operacional em horários de maior incidência de crimes e cita o reforço que teve de homens da Força Nacional. Sobre o alto número de mortes por intervenção de agentes da segurança pública, a secretaria diz que ele reflete as ações de combate à criminalidade e à violência.

"A Segup reforçou as ações ostensivas e preventivas. Em um primeiro momento, houve resistência e confronto. Entretanto, com o passar dos meses, esse número vem diminuindo. Ao comparar o mês de abril com março deste ano, já é possível perceber uma redução de aproximadamente 4%. A atuação da polícia permanece presente a fim de reduzir os índices da criminalidade em todo o estado . Assista o video ( https://www.youtube.com/watch?v=qi7CCwruiZA ) 


Autor: Thais Rezende com G1


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