Quarta-Feira, 21 de Agosto de 2019

Pedro Taques quer ser ouvido pela Justiça nos processos da chamada Grampolândia Pantaneira




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Acusado de ser o “cabeça” do esquema de interceptações telefônicas ilegais, o ex-governador Pedro Taques (PSDB) afirma que já ingressou com uma série de petições para ser ouvido em todos os processos oriundos da chamada “Grampolândia Pantaneira”.

O tucano garante que está “louco para falar” sobre as acusações de que seria "o dono" das escutas ilegais operadas por policiais militares durante sua gestão. Conforme o cabo Gerson Correa e os coronéis Evandro Lesco e Zaqueu Barbosa, o ex-governador e seu primo, o ex-secretário da Casa Civil Paulo Taques, eram os maiores beneficiados com o esquema.

 As declarações foram dadas em meados do mês passado em reinterrogatorio prestado junto à 11ª Vara Militar de Cuiabá. Após não conseguirem firmar acordo de delação premiada com o Ministério Público Estadual (MPE), os militares resolveram colaborar com a justiça e pediram para serem ouvidos novamente. “Eu estou louco para falar. Já peticionei em todos os lugares para que eu possa prestar depoimento”, disse Taques.

Ele afirma que evitou se manifestar sobre o esquema durante o período que respondia pelo Palácio Paiaguás, mas garante que agora, fora da política, ele prestará os esclarecimentos necessários. “Como governador, eu tinha e mantive a liturgia do cargo, mas agora eu não sou mais governador. Eu, como todo cidadão, tenho o direito constitucional de exercer a minha defesa conforme determina a própria Constituição”, completou.

Além de acusar Taques, os militares também revelaram a participação de membros do Ministério Público no esquema clandestino. Por conta disso, a Assembleia Legislativa está cogitando a possibilidade de instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso.

OAB - A fim de embasar a decisão dos parlamentares quanto a instauração ou não da investigação contra a corte ministerial, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso (OAB-MT), Leonardo Campos, deve comparecer ao Legislativo na próxima semana para tratar sobre o assunto.

Conforme Gerson Correa e os coronéis, promotores do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) também se utilizaram do esquema de escutas clandestinas para dar andamento em investigações.

Eles afirmam que, as interceptações ilegais embasaram, ao menos, 15 operações declaradas pelo Gaeco nos últimos anos. Além disso, acusou os integrantes do Ministério Público de desvio a finalidade de uma verba secreta destinada a ações de investigação.

Ao todo, ele citou que seis promotores teriam praticado irregularidades no grupo. São eles: Marco Aurélio de Castro, Marcos Bulhões, Marcos Regenold, Samuel Frungillo, Célio Wilson e Paulo Prado. O convite ao presidente da OAB foi feito após esclarecimentos prestados pelo procurador-geral de Justiça José Antônio Borges junto ao Legislativo. Na oportunidade, ele garantiu que o Ministério Público fará uma auditoria externa do sistema de intercepção telefônica para verificar se houve irregularidades nas investigações conduzidas pela instituição.

A auditoria está sendo realizada pela própria empresa responsável pelo software. “Nós temos uma empresa que fornece o sistema Guardião, essa empresa que faz auditoria. Aliás, é a própria empresa que foi indicada nesses inquéritos que deve fazer auditoria em relação a isso. E isso vai se fazer administrativamente independente das investigações”, disse o chefe do Ministério Público. 


Autor: AMZ Noticias com Diário de Cuiabá


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