Segunda-Feira, 16 de Setembro de 2019

Especialistas dizem que setembro e outubro podem ter período mais crítico de queimadas




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Desde 2010, agosto deste ano foi o pior mês para a Amazônia. Somente nos 31 dias do mês passado, 30.901 queimadas foram registradas na região e os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o número de incêndios foi quase três vezes a medição de agosto de 2018, quando foram registrados 10.421 focos. Em Mato Grosso, a situação não foi diferente.

Na Amazônia, o total de focos superou em 20% a média histórica de queimadas para os meses de agosto, que era de 25 mil. A medição média ocorre desde 1998, mas a partir de 2011 o país vinha seguindo uma tendência de registros abaixo da média histórica. Em todo país, até o dia 1º de setembro, eram contabilizadas 91.891 ocorrências de fogo, 67% a mais que no ano passado (54.942). A maioria (52%) na região amazônica, onde os aumentos mais expressivos foram no Pará (132%), Roraima (132%) e Rondônia (127%) e Amazonas (98%).

No Estado, o acumulado de focos subiu para 16.948 desde o início de janeiro, um aumento de 88% em relação ao mesmo período de 2018, quando foram contabilizadas 8.996 ocorrências. Do total, 8.030 (47,38%) foram registrados em agosto e, outros 142, no primeiro dia deste mês de setembro, conforme o Inpe. O município com maior registro de queimadas é Colniza com 1.526 pontos de calor.

E, o momento mais crítico ainda está por começar, de acordo com o coordenador do projeto MapBiomas, Tasso Azevedo, em artigo divulgado no último dia 28 de agosto. Segundo ele, ao cruzar os dados, observa-se uma enorme sobreposição entre as áreas de alertas de desmatamento e as áreas de focos de calor detectados por satélite. “A floresta que queima agora foi derrubada em abril, maio e junho. O que veio abaixo em julho e agosto vai queimar em setembro e outubro. Como a área detectada de desmatamento cresceu muito em julho (278%) e agosto (118% até o dia 23), o pior do fogo ainda está por vir”, diz.

Entre as preocupações, o fato de que setembro, mais seco, é historicamente pior para as queimadas do que agosto. Historicamente, a média das ocorrências do fogo na Amazônia em setembro é a maior do ano. Em 2018, por exemplo, setembro teve mais que o dobro de incêndios que agosto: foram 24,8 mil focos contra 10,4 mil. No território mato-grossense não foi diferente. Segundo dados do Inpe, o Estado registrou 2.650 em agosto de 2018. Em setembro do mesmo ano foram 6.638 pontos de calor.

Para Azevedo, é fundamental reduzir o combustível e evitar a todo custo novas ignições. Uma das medidas é a moratória do uso do fogo pelo menos até o final de outubro. Junto, campanha ostensiva de comunicação e o emprego de força com o objetivo de estancar o desmatamento, que segundo ambientalistas aproximadamente 90% é ilegal.

As chamas têm causado deixado rastro de destruição por onde passam. Ainda não há número oficiais, mas são inúmeros animais mortos durante os incêndios. Também causam prejuízos, como a destruição de pontes na região do Coxipó do Ouro, distrito de Cuiabá. Por lá, a linha de fogo que estava próxima da comunidade foi extinta no domingo (01). Com isso, ontem, o combate se concentrou na região do Morro São Gerônimo.

Em Chapada dos Guimarães (65 quilômetros de Cuiabá), o fogo já atingiu 6,5 mil hectares e já dura mais de uma semana. Para tentar controlar o fogo na região, equipes do Corpo de Bombeiros e do Instituto Chico Mendes da Conservação da Biodiversidade (ICMBio) construíram, no domingo (1°), um aceiro.

O Grupo de Aviação Bombeiro Militar também fez uma linha de lançamento de água de 450 metros ao redor da área atingida pelas queimadas. Para o combate às chamas, os bombeiros informaram que foram necessárias duas aeronaves, um autotanque de 30 mil litros, um caminhão-pipa de 15 mil litros, uma piscina de 18 mil litros, além de 20 mil litros de agente extintor.

PROIBIÇÃO – O Governo do Estado prorrogou o período proibitivo de queimadas em Mato Grosso. Agora, a proibição que se encerraria em 15 de setembro segue até o dia 30 de novembro deste ano. O anúncio foi feito pelo governador Mauro Mendes, durante coletiva à imprensa na tarde de sexta-feira (30). Também foram suspensas até a mesma data toda e qualquer autorização para desmatamento no Estado.

As medidas foram tomadas para reforçar ainda mais o combate aos atos que causam danos contra o meio ambiente. “Vamos concentrar todas as nossas energias, recursos, equipamentos, para usarmos no combate a esse desmatamento ilegal e a essas queimadas ilegais que estão acontecendo no Estado de Mato Grosso”, afirmou Mendes na ocasião.

Mendes afirmou ainda que o Estado tem feito um grande esforço para combater as queimadas e o avanço da devastação florestal. Tanto que Mato Grosso foi o único estado da Amazônia Legal que conseguiu reduzir o desmatamento no último ano, com queda de 17%. “Nós estamos muito conscientes do papel de Mato Grosso no comércio internacional e agronegócio brasileiro e vamos fazer todo o esforço para mostrar que o nosso estado está amplamente alinhado com o que pensa o mundo em termos de questões ambientais e que estamos fazendo aqui um esforço gigante para estarmos na legalidade e contribuir com o clima e os aspectos ambientais do planeta”, afirmou.


Autor: AMZ Noticias com Diário de Cuiabá


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