Terca-Feira, 12 de Novembro de 2019

Leão, Hienas, Queiroz e o assassinato de Marielle




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Em mais um episódio lamentável que ilustra a completa falta de liturgia e de compostura para exercer o cargo de presidente da República, o clã Bolsonaro publicou nas redes sociais do presidente um vídeo de completo desrespeito às instituições do Estado brasileiro e da sociedade civil.

No vídeo publicado esta semana, Jair Bolsonaro se passa por um leão ameaçado por hienas que representam tudo aquilo que presidente considera seus inimigos, como o STF, partidos de oposição, entidades dos movimentos sociais e veículos de comunicação.

No entanto, além de despropositado, pois o Brasil não é um reino controlado por um rei, somos uma república presidencialista, o vídeo busca desviar a atenção da opinião pública em relação às fortes denúncias que envolvem Bolsonaro, seus amigos e seus vizinhos.

Essa semana, o áudio vazado de Fabrício Queiroz demonstra que o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro continua em plena atividade ilícita. Nas conversas, ele demonstra preocupação com os rumos das investigações pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, seu isolamento político e insta seus correligionários a tomarem medidas para conterem essas investigações.

Também nos áudios, para não perder o costume, se demonstra ávido por indicações de cargos comissionados no Congresso Nacional. Aliás, a forte bancada eleita pelo PSL dá acesso a inúmeros cargos como esses, e Queiroz lamenta a desmobilização do partido para ocupar esses cargos de forma rápida. Fabrício Queiroz continua sendo um pesadelo para o clã Bolsonaro e a cada áudio vazado como esse fica mais evidente a relação de Queiroz com os maus feitos do clã Bolsonaro.

Da mesma maneira, outro Queiroz, dessa vez Elcio Queiroz, esteve no condomínio de Jair Bolsonaro horas antes do assassinato de Marielle Franco e de seu motorista Anderson. Em depoimento à Polícia Federal, o porteiro do condomínio afirma que Elcio Queiroz esteve no dia 14 de março de 2018 no condomínio, dizendo que iria na casa de Jair Bolsonaro, algo aparentemente contraditório, pois nesse dia os registros da Câmara Federal atestam a presença de Bolsonaro em Brasília.

Contudo, se Bolsonaro não estava em casa, quem atendeu o interfone na casa do presidente? Por que para se encontrar com Ronnie Lessa, Elcio Queiroz disse que iria na casa de Bolsonaro quando chegou na portaria do condomínio? O que dá a Elcio Queiroz, suspeito de ser o motorista do carro que assinou Marielle, tamanha intimidade com o condomínio em que vive Bolsonaro.

O fato objetivo é que o presidente da República não consegue esclarecer de forma clara e convincente seu relacionamento de décadas com Fabrício Queiroz. Do mesmo modo, as relações de amizade com Ronnie Lessa e toda a relação que esse guarda com a milícia carioca também não foram esclarecidas. Vale lembrar que a polícia encontrou 117 fuzis na casa de Alexandre Mota, esses fuzis, de acordo com Alexandre, pertencem a Ronnie. Ao que tudo indica, milícia não usa fuzil, coage e explora o cidadão de outras formas. Sendo assim, há grandes chances desses fuzis abastecerem o tráfico de drogas, comprovando mais uma vez a relação das milícias com o tráfico.

O vídeo das hienas e do leão tem algo de verdadeiro. Realmente o presidente Bolsonaro se encontra acuado, cercado, mas não pelas instituições democráticas do Estado brasileiro e, sim, pelo que há de mais atrasado e retrógrado na sociedade brasileira.

Um governo de entreguistas que tentam vender o Brasil, de conservadores que atacam a educação, as universidades e os direitos humanos e de criminosos que através de fakenews e das milícias impõe o medo e a mentira. Que os exemplos que vêm do Chile, da Bolívia, da Argentina nos dê esperanças para que o Brasil se reencontre com seu destino e dê um basta às aventuras políticas que tomaram de assalto o Estado brasileiro. 

*Wadson Ribeiro foi presidente da UNE e secretário de Estado, e é presidente do PCdoB-MG


Autor: Wadson Ribeiro


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