Quarta-Feira, 20 de Novembro de 2019

Agronegócio é a base da economia dos municípios mais ricos do Vale do Araguaia




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A riqueza gerada nos municípios do Vale do Araguaia, em Mato Grosso, vem na sua grande maioria, do agronegócio. O termo agronegócio congrega a atividade primária em si, além da própria agropecuária, engloba o comércio, a indústria e os serviços ligados ao agro.

A AGRNotícias fez um levantamento do último Valor Adicionado (VA) disponível, ano base 2018, de oito municípios da região, para saber o VA de cada uma dessas cidades e qual é a fatia dos setores do comércio e indústria, da agropecuária e dos serviços.

O município com maior VA do Vale do Araguaia é Querência. O motivo é simples: Querência é o maior produtor de grãos da região, com previsão de semear mais de 350 mil hectares de soja na safra 19/20. O Valor Adicionado de Querência, ano base 2018, foi de R$ 1.741 bilhão. Desse montante, a maior parte, R$ 730 milhões (42%) vem do comércio e indústria, R$ 506 milhões da agropecuária e R$ 467 milhões de serviços, além de R$ 4 milhões de outros segmentos.

Apesar de ter uma população três vezes maior do que Querência, Barra do Garças tem um VA menor. A explicação novamente vem da produção agropecuária, sendo que a diferença do VA desse setor entre os dois municípios reflete no VA total. O Valor Adicionado de Barra é de 1.265 bilhão de reais. O comércio e indústria gera a maior parte, R$ 935 milhões (73%), sendo o maior deste segmento em todo o Vale. Depois vem serviços com R$ 160 milhões, seguido da agropecuária com R$ 155 milhões e outros com R$ 25 milhões.

Na sequência de maiores VAs, vem Canarana, com R$ 1.1 bilhão. O comércio e indústria é responsável por R$ 484 milhões (44%), agropecuária por R$ 350 milhões, serviços por 287 milhões e outros setores por três milhões de reais. Água Boa tem VA de R$ 777 milhões, sendo R$ 333 milhões (43%) do comércio e indústria, R$ 285 milhões da agropecuária, R$ 144 milhões de serviços e R$ 15 milhões de outros. Na tabela abaixo estão os números completos de oito municípios da região.

Pelo levantamento, os maiores VAs e consecutivamente, os PIBs da região, com exceção de Barra do Garças, estão diretamente interligados com a produção agropecuária, o que é chamado de agronegócio, abrangendo também comércio, indústria e serviços. Ainda, entre os quatro municípios com maiores VAs, o que tem menos população, Querência, é justamente o que tem maior Valor Adicionado, por ser o maior produtor de grãos do Vale do Araguaia.

Para o secretário de Finanças de Água Boa, Fábio Tadeu Weiler, não há dúvidas de que o que mais movimenta o comércio e os serviços nos municípios da região é a agropecuária. “Tudo o que acontece aqui em Água Boa, o grande propulsor disso é o agronegócio. Um dos grandes fomentadores da nossa economia é a JBS [frigorífico de gado] que vem do agro. A maioria das oficinas mecânicas prestam serviço para quem trabalha com o agro. A maior parte dos impostos vem do agro, porque os picos de arrecadação do Fethab vem no plantio e na colheita das lavouras, que é quando mais se usa combustível (de onde sai o Fethab dos municípios)”, disse Fábio Tadeu ao AGRNotícias.

O empresário Pedro Lauri Kuhn, reside em Querência e possui postos de combustíveis lá e em Canarana. Pedro está pensando em expandir sua atividade para outras cidades, mas disse que só irá para municípios com vocação para o agronegócio.

“É o agro que movimenta toda cadeia. Se não fosse o agronegócio aqui em Querência, eu não venderia o volume que eu vendo. Como a gente está nesse ramo e pensando em expandir, tenho mapeado cidades com 50 mil habitantes que vendem metade do combustível do volume atual de Querência que tem 20 mil habitantes, justamente porque naquelas cidades é só pecuária e culturas perenes. E falo mais, cidades onde o agronegócio não tem chance de expandir pelas terras não serem agricultáveis, continuarão sendo cidades pacatas. Eu só invisto onde tem agro”, disse Pedro durante entrevista ao AGRNotícias. Os dados desta reportagem foram publicados no Diário Oficial do Mato Grosso no dia 28 de junho de 2019.

Imposto - Por ter isenção de ICMS para exportação, existe o estigma de que a agropecuária não paga imposto. Porém, os dados do VA demonstram que o agronegócio é responsável pela geração de boa parte do imposto. Conforme o diretor Administrativo da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber, os produtores geram o chamado imposto indireto.

“Hoje, qual é o maior investimento do produtor? Depois dos defensivos são as máquinas. Se você pegar, de 2013 para cá, uma colheitadeira dobrou de preço. E nessa máquina o produtor paga ICMS. O funcionário do produtor que vai no mercado comprar o seu alimento, que compra seu carro novo, que compra roupas para seus filhos, ele está pagando imposto. Então, indiretamente gera-se muito imposto”, disse Lucas.

Valor Adicionado - O Valor Adicionado (VA) é uma noção que permite medir o valor criado por um agente econômico. É o valor adicional que adquirem os bens e serviços ao serem transformados durante o processo produtivo. O VA é responsável pela maior fatia que forma o Produto Interno Bruto (PIB).


Autor: AMZ Noticias com AGRNoticias


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