Terca-Feira, 12 de Novembro de 2019

Veja o que estudiosos sugerem como soluções para sanar problemas infantis na Amazônia




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Com inúmeros problemas sociais as crianças e adolescentes da Amazônia Legal vivem a pior situação do pais, alguns estudiosos apresentam algumas soluções para sanar problemas infantis na Amazônia

A pesquisadora Jacqueline Guimarães, da UFPA, diz que para melhorar a vida das crianças na Amazônia, é preciso que as entidades que trabalham com a criança e adolescente realizem um trabalho conjunto em forma de rede, tendo em mente que cada região tem suas peculiaridades.

"Não basta a simples existência de Escolas, Conselhos Tutelares, Conselho de Direito da Criança e adolescente, Centros de Referência de Assistência Social. É fundamental a realização de ações de diálogos e agendas que se comuniquem e articulem entre as diferentes instituições que pretendem proteger a infância".

Na visão da Unicef, é fundamental identificar e acompanhar a dispersão das populações indígenas e ribeirinhas, que emigram de suas terras para as periferias das cidades. Em muitos casos, esses fluxos migratórios acontecem em razão da implantação de grandes obras de infraestrutura - que, por um lado, desalojam populações e, por outro, geram empregos, ou em busca de outras oportunidades de trabalho, por questões de saúde, por causa de conflitos fundiários ou em busca de educação. "A maioria da população indígena jovem já se encontra na periferia das médias e grandes cidades da região".

Outro caminho, defende a Unicef, é fortalecer a capacidade dos municípios, que representa o poder público mais próximo da população, para atuar em contextos de grandes complexidades sociais, econômicas, sociais e geográficas, como a Amazônia. "Em muitos lugares, as instâncias municipais, estaduais e federal na Amazônia Legal não são capazes de garantir e realizar sozinhas os direitos, especialmente das populações vulneráveis. Por isso, União, Estados e municípios precisam investir na formação e qualificação permanente dos serviços e agentes públicos. Isso pode ser feito por meio de parcerias com universidades e escolas de governo e gestão, e demais instituições públicas de pesquisa e ensino".

Para o coordenador da ONG Projeto Saúde & Alegria, que atua na Amazônia, Caetano Scannavino, é preciso discutir um modelo econômico e de desenvolvimento que, além de gerar riqueza, beneficie a população local de maneira sustentável."

"Ao longo dessas décadas, desmatamos o equivalente a duas Alemanhas para que 63% dessas áreas fossem ocupadas por pastos de baixíssimas produtividade, níveis africanos. Estamos desmatando para ficar mais pobres? Não para substituir por algo eficiente, que poderia gerar inclusão e desenvolvimento para todos e não só para a geração atual, mas para a frente", diz ele que, para isso, defende uma soma de esforços de todos os setores da sociedade: governo, academia, ONGs e movimentos sociais, seguindo modelos de iniciativas que já funcionam na região, em pequena escala. "Isso que precisa ser debatido. Há décadas se extrai recursos da Amazônia, e as pessoas não estão mais ricas. Estão mais pobres porque não melhorou o pé de meia, e a floresta não tem mais a riqueza que tinha antes".

A assistência social Glinda, moradora de Breves, tem visão parecida sobre o futuro das riquezas naturais da região em que ela nasceu. "A floresta em pé gera lucros pra uns e prejuízos pra outros", diz. "Esse é o nosso grande problema, eles a veem sob o olhar da ganância. Mas o aqui o povo existe e resiste".


Autor: Ligia Guimarães com BBC


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