Terca-Feira, 12 de Novembro de 2019

Dados apontam que cerca de 81 mil pessoas de Mato Grosso vivem em extrema pobreza




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No ano de 2018, Mato Grosso tinha 81 mil pessoas (2,4%) com renda mensal per capta inferior a R$ 145,00 ou U$S 1,9 por dia, critério adotado pelo Banco Mundial para identificar a condição de extrema pobreza. Deste total, 19 mil indivíduos (3,1%), em Cuiabá. Dados como estes fazem parte da Síntese de Indicadores Sociais (SIS) divulgada, ontem (06), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No país, o levantamento aponta para 13,5 milhões pessoas com renda mensal per capta inferior a R$ 145 ou na condição de extrema pobreza. Esse número é equivalente à população de Bolívia, Bélgica, Cuba, Grécia e Portugal. Embora o percentual tenha ficado estável em relação a 2017, subiu de 5,8%, em 2012, para 6,5% em 2018, um recorde em sete anos.

No Estado, o valor estimado da renda dessas pessoas é de R$ 144, o que corresponde a 2,4% do total de mato-grossenses estimado em 3,4 milhões. Contudo, Mato Grosso ocupou a sexta colocação entre os estados brasileiros menos desigual. Neste caso, Santa Catarina apresentou o menor percentual de pobres, seguido do Distrito Federal, Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraná. Além disso, do centro-oeste, foi o segundo com menor número de pessoas vivendo na extrema miséria. No vizinho Mato Grosso do Sul são 79 mil, no Distrito Federal, 92 mil e, em Goiás, são 214 mil.

O levantamento mostra que o rendimento mensal domiciliar per capita dos residentes em domicílios particulares no território mato-grossense é de R$ 1.025 a R$ 1.382. O valor segue a média mensal real domiciliar per capita, considerando todas as fontes de renda, subiu de R$ 1.285 em 2017 para R$ 1.337, em 2018. No entanto, o valor caía a pouco mais da metade da média nacional nas regiões mais pobres do país: no Nordeste, era de R$ 815 em 2018; e no norte, R$ 886. Na região sudeste, o rendimento médio mensal domiciliar per capita foi de R$ 1.639, mais que o dobro do recebido pelos nordestinos.

Conforme o SIS, a pobreza atinge sobretudo a população preta ou parda, que representa 72,7% dos pobres, em números absolutos 38,1 milhões de pessoas. E as mulheres pretas ou pardas compõem o maior contingente, 27,2 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza.

Em 2018, pessoas de cor ou raça preta ou parda tiveram rendimento médio domiciliar per capita de R$ 934, quase metade do rendimento de R$ 1.846 das pessoas de cor ou raça branca. Entre 2012 e 2018, houve ligeira redução dessa diferença, explicada por um aumento de 9,5% no rendimento médio de pretos ou pardos, ante um aumento de 8,2% do rendimento médio dos brancos. “Mas tal redução não foi capaz de superar a histórica desigualdade de rendimentos, em que brancos ganham o dobro de pretos e pardos”, informou.

Em relação às condições de moradia, 56,2% (29,5 milhões) da população abaixo da linha da pobreza não têm acesso a esgotamento sanitário; 25,8% (13,5 milhões) não são atendidos com abastecimento de água por rede; e 21,1% (11,1 milhões) não têm coleta de lixo. Tanto em relação às inadequações habitacionais como em relação à ausência de saneamento, as proporções registradas são maiores entre pretos e pardos do que entre brancos.

Para o gerente do estudo, André Simões, são necessárias políticas públicas para combater a extrema pobreza, pois ela atinge um grupo mais vulnerável e com menos condições de ingressar no mercado de trabalho. “Esse grupo necessita de cuidados maiores que seriam, por exemplo, políticas públicas de transferência de renda e de dinamização do mercado de trabalho. É fundamental que as pessoas tenham acesso aos programas sociais e que tenham condições de se inserir no mercado de trabalho para terem acesso a uma renda que as tirem da situação de extrema pobreza”, disse.

Conforme informações da assessoria de imprensa do IBGE, o valor do indicador de pobreza do Bolsa Família, R$ 89, é, inclusive, inferior ao parâmetro global de R$ 145, o que mostra que o benefício não é suficiente para tirar as pessoas da extrema pobreza. O pesquisador do IBGE Leonardo Athias explicou que, em 2011, o valor de R$ 70 para o Bolsa Família era compatível com o valor global da época, de US$ 1,25 por dia. “Por falta de correções monetárias, hoje o valor de R$ 89 é abaixo do valor global indicado pelo Banco Mundial”, destacou.

O levantamento também apontou que, embora um milhão de pessoas tenham deixado a linha de pobreza – rendimento diário inferior a US$ 5,5, medida adotada pelo Banco Mundial para identificar a pobreza em países em desenvolvimento como Brasil – um quarto da população brasileira, ou 52,5 milhões de pessoas, ainda vivia com menos de R$ 420 per capta por mês. O índice caiu de 26,5%, em 2017, para 25,3% em 2018, porém, o percentual está longe do alcançado em 2014, o melhor ano da série, que registrou 22,8%.


Autor: AMZ Noticias com Diário de Cuiabá


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