Sexta-Feira, 06 de Dezembro de 2019

Conclusão da Transbananal deve resolver gargalo rodoviário e viabilizar logística do Araguaia




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Para Mato Grosso a Transbananal significa uma importante rota Leste-Oeste, ligando São Félix do Araguaia ao eixo da Belém-Brasília. De São Félix do Araguaia a Formoso do Araguaia (18.440 habitantes) o trecho é de 92 quilômetros.

De Formoso a Gurupi, à margem da Belém Brasília, a distância é de 70 quilômetros sendo 30 quilômetros pela Belém-Brasília – principal alimentadora rodoviária do porto de Itaqui, em São Luís (MA). Em Gurupi, commodities agrícolas mato-grossenses poderão ser embarcadas para o Maranhão nos comboios da Ferrovia Norte-Sul, o que se traduzirá no surgimento de mais um modal nacional de transporte rodoferroviário.

Segundo o ministro Tarcísio Freitas, a Empresa de Planejamento e Logística (EPL) – ligada ao Ministério da Infraestrutura – realizará a viabilidade econômica do projeto da Transbananal, que leva entre seis e sete meses para finalizar. Criada em 2012 por lei estadual, a TO-500 será federalizada, mas não se sabe ainda se sua obra será bancada pelo governo federal ou por algum grupo interessado em sua concessão. Mesmo com essa indefinição, técnicos do governo e empresários do setor avaliam que seu custo será superior a R$ 1 bilhão.

O nome oficial da rodovia é Transbananal Idjarruri Karajá – TO-500.  Quando pavimentada terá classificação de Linha Verde. Seu projeto é do engenheiro José Rubens Mazzaro, líder da Comissão Pró TO-500, cuja construção é regulamentada por rígidos critérios ambientais.

Além da pavimentação e sinalização a Transbananal exigirá  a construção de muretas e de pontes sobre os rios Javaés, San Rocan, Riozinho, Jaburu e Araguaia diante de São Félix do Araguaia. A ponte sobre o Araguaia terá 2.600 metros de extensão, será estaiada e aposentará a balsa que há décadas faz a travessia do rio, que naquele trecho tem largura que varia de 900 e 1.200 metros dependendo do volume d’água ditado pelas chuvas.

A Transbananal é importante dente da engrenagem da BR-242 entre Tocantins e Mato Grosso. Porém, para a consolidação dessa rota será preciso interligar São Félix do Araguaia a Ribeirão Cascalheira, no rumo Sul. Há duas alternativas para tanto: a pavimentação da BR-242 até a BR-158 e dessa até a vila de Alô Brasil, no município de Bom Jesus do Araguaia e próximo a Ribeirão Cascalheira, ou investir numa trajeto alternativo  pela MT-433/322 cruzando as áreas urbanas de Serra Nova Dourada e Bom Jesus do Araguaia.

BR-158 – Em Mato Grosso a BR-158 liga Pontal do Araguaia/Barra do Garças à divisa com o Pará. Ao Norte de Alô Brasil essa rodovia tem um trecho sem pavimentação na Terra Indígena Marãiwatsédé, dos Xavante. Parte desse trecho, com 59 quilômetros, se estende de Alô Brasil ao trevo com a BR-242.

Em nome da política indigenista a Funai e o Ministério Público Federal não aceitam seu asfaltamento e defendem que o curso da rodovia seja desviado para as estradas MT-322 e MT-433, cruzando Bom Jesus do Araguaia e Serra Nova Dourada, prosseguindo até Alto Boa Vista, e dali, até a BR-158 fora da área Xavante. Mantido o trajeto original da BR-158, a distância para completar a ligação de São Félix do Araguaia à malha rodoviária federal pavimentada é de 173 quilômetros.

ALTERNATIVA – Deslocando o trajeto da BR-158 para evitar a área indígena o percurso aumenta para 186 quilômetros, distância que poderá ser reduzida em razão de eventuais correções em segmentos nas estaduais MT-322/433. No comparativo com a rodovia federal, essa alternativa aumenta o percurso em 13  quilômetros.

PERSPECTIVAS – A barreira contra a pavimentação da BR-158 é grande e forte. Essa situação não é exclusiva dela: as demais rodovias na mesma situação se encontram diante de impasse semelhante.

Único deputado estadual domiciliado no Vale do Araguaia, Dr. Eugênio (PSB) defende a pavimentação da BR-158  na área indígena, mas não abre mão do asfalto na MT-322/433. “O governador Mauro Mendes assumiu compromisso público com essa obra“, observa o parlamentar.

Os prefeitos Valtuir Cândido da Silva/PSC (Alto Boa Vista), José Ocimar Gomes da Silva/PSDB (Serra Nova Dourada) e Ronaldo Rosa de Oliveira/DEM (Bom Jesus do Araguaia) defendem a pavimentação pelo trajeto alternativo, também chamado de Contorno. Em nome da agilidade da obra, o senador liberal Wellington Fagundes se junta aos três prefeitos.

Mato Grosso luta em duas frentes pela infraestrutura de transporte no Vale do Araguaia. Essa é uma das bandeiras municipalistas defendidas pela AMM e que tem reflexo político nos municípios à espera do asfalto. O presidente da entidade, Neurilan Fraga, articula permanentemente nas esferas federal e estadual para que todas as cidades, e não somente as do Araguaia, tenham ao menos um acesso pavimentado.

Janailza Taveira, além de prefeita de São Félix do Araguaia exerce uma das vice-presidências da AMM e se empenha pela Transbananal e a pavimentação para interligar seu município à malha rodoviária mato-grossense. “Precisamos garantir rodovia pavimentada para todos os municípios do Araguaia e outras regiões. Não é concebível que tantas cidades tenham que enfrentar os problemas causados pela falta do asfalto“, observa a prefeita.

Em São Félix do Araguaia a luta de Janailza Taveira pela pavimentação não é isolada. A Câmara Municipal e a população participam intensamente da mobilização por Transbananal e acesso pavimentado a Cuiabá.

Janailza Taveira observa que sua luta tem razão de ser: “demanda de trânsito no trecho São Félix do Araguaia a Formoso existe. Vontade política, sobra. Interesse do empresariado por investimento em São Félix do Araguaia não falta e são muitas as cartas com propostas de instalação (em sua cidade) de estabelecimentos nos ramos de hotelaria, restaurantes, locação e fretamento de barcos, aviação executiva e outras atividades ligadas ao trade turístico. “Nossa cidade respira Transbananal“, vibra  a prefeita.

Motoristas que trafegam pelas rodovias no Vale do Araguaia defendem as duas obras, mas se forem consultados para optar entre uma e outra ficam com a BR-158. Antônio Cesar Garcia, 57 anos, residente em Canarana, e que há 25 anos entrega bebidas em São Félix do Araguaia e outras cidades no Vale do Araguaia conhece a BR-158 como a palma da mão.

Segundo ele, ao longo de sua antiga relação com a rodovia enfrentou atoleiros e os perigosos canudos de poeira – que encobrem os veículos e contribuem para as colisões “Esse asfalto (da BR-158) tem que sair; essa estrada não pode ser deslocada pra lá nem para cá – isso não tem lógica”, desabafa.

Ildo Cristino da Silva, 62 anos, é motorista de um grupo atacadista de Goiânia (GO) que tem clientes em São Félix do Araguaia. “Faço essa rota há 30 anos e nunca a rodovia está boa. Acho que passa da hora de pavimentá-la. Quanto ao contorno que eles falam, a conversa é outra. Ele tem que ser asfaltado, mas sem prejuízo pra BR-158”,

“O dia em que eles asfaltarem (a BR-158/242) isso aquilo explode” acredita dona Creuza Rosa Vilani, que mora em Barra do Garças e tem uma filha que trabalha numa fazenda no município de Bom Jesus do Araguaia, à margem da BR-158.

 


Autor: Eduardo Gomes com A Boa Midia


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