Sexta-Feira, 10 de Julho de 2020

Mulher que nasceu em Barra do Garças consegue direito de tratar filha com extrato da maconha




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A paisagista Katiele Fischer, que nasceu em Barra do Garças-MT e hoje reside em Brasília, está se tornando um símbolo no país na luta pela autorização com efeitos medicinais do extrato da maconha. Ela conseguiu na Justiça o direito de usar o extrato da erva para tratar a filha Anny de 11 anos. A reportagem está em destaque no Portal UOL de Notícias.

 As duas gestações da paisagista foram consideradas normais pelos médicos. Mas, com Anny, os primeiros sintomas vieram aos 45 dias de vida. Segundo a mãe, ela deu uma tremidinha e revirou o olhinho: "Parecia uma convulsão". O diagnóstico da síndrome de Rett CDKL5, porém, só chegou quatro anos depois.

É uma síndrome muito rara. Só conseguimos encontrar 30 casos em todo o país.".Katiele de Bortoli Fischer, de 38 anos, viu a vida mudar em 2012, quando a filha caçula, Anny, recebeu o diagnóstico da síndrome CDKL5, um distúrbio neurológico raro que chegou a causar até 80 convulsões por semana na menina.

As crises, que duravam até dez minutos, fizeram a criança parar de andar e não conseguir mais se alimentar. Na época, nenhum medicamento conseguiu minimizar as consequências. Foi então que a paisagista, juntamente com o marido, decidiu importar ilegalmente uma substância derivada da maconha, o canabidiol (CDB).

Com o resultado promissor no tratamento da filha, que apresentou melhora desde o primeiro uso do medicamento, a família passou a lutar na Justiça para trazer a substância legalmente para o país, até que, em 2014, conseguiu a autorização pioneira, uma decisão que abriu caminho para a permissão do uso medicinal da maconha no Brasil.

Agora, a família comemora a determinação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) divulgada na última terça-feira (3), que aprovou a liberação da venda em farmácias de produtos à base de cannabis para uso medicinal no país. A medida entra em vigor 90 dias depois de publicada no Diário Oficial da União e pode ser revisada em até três anos, mas trouxe alívio a quem depende desse tipo de tratamento.

"Essa novidade é positiva. Vai facilitar bastante a vida, não terá mais a demora em conseguir o Ofício da Anvisa, a importação e o desembaraço aduaneiro. Existe ainda um caminho bem longo a se percorrido. Porém a notícia me motivou a continuar acreditando", diz Katiele.

Nascida em Barra do Garças (MT), Katiele atualmente mora na região do Lago Norte, a 12 km do centro de Brasília, com o marido, Norberto Fischer, e as filhas, Júlia, de 13 anos, e Anny, de 11 anos. A mãe conta que, nos primeiros anos de vida, mesmo com as crises convulsivas, Anny foi se desenvolvendo: "Ela conseguiu andar com três anos, falava 'mamã', 'papá'. Ela tinha um desenvolvimento. Devagar, mas tinha".

Com quatro anos, no entanto, a menina começou a ter crises mais fortes: "Por conta disso, ela foi perdendo tudo o que tinha conquistado. Numa semana, ela não conseguia mais andar direito; algumas semanas depois, ela já estava andando de joelhos; passado mais um mês, ela já não sentava; e, no final desses quatro meses de regressão, ela perdeu tudo, tudo".

Katiele explica que eram tantas convulsões, e tão frequentes, que a filha regrediu completamente. "Ao final desse período, ela não se mexia mais, não sorria, não chorava, ficou bem comprometida mesmo.".

 


Autor: Redação AMZ Noticias


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