Terca-Feira, 27 de Outubro de 2020

Estudo mostra que mulheres têm sido as maiores vitimas da pandemia de coronavírus




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Embora os homens representem entre 60% e 80% dos mortos pela Covid-19, as mulheres são afetadas de maneira mais severa pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2). Elas estão mais expostas ao risco de contaminação e às vulnerabilidades sociais decorrentes da pandemia, como desemprego, violência, falta de acesso aos serviços de saúde e aumento da pobreza.

Essa é a conclusão do relatório "Mulheres no centro da luta contra a crise Covid-19", divulgado no final de março pela ONU Mulheres, entidade da Organização das Nações Unidas para igualdade de gênero e empoderamento.

Em resumo, segundo o estudo, a pandemia afeta mais as mulheres porque: 70% dos trabalhadores de saúde em todo o mundo são mulheres, fato que as expõe a um maior risco de infecção pelo novo coronavírus; com o isolamento, os índices de violência doméstica e feminicídio têm aumentado no mundo – como as mulheres estão confinadas com seus agressores e distantes do ciclo social, riscos para elas são cada vez mais elevados; entre os idosos, há mais mulheres vivendo sozinhas e com baixos rendimentos;

A ONU Mulheres estima que, dentre a população feminina mundial, as trabalhadoras do setor de saúde, as domésticas e as trabalhadoras do setor informal serão as mais afetadas pelos efeitos da pandemia de coronavírus. mulheres também são maioria em vários setores de empregos informais, como trabalhadores domésticos e cuidadores de idosos; com a pandemia, mulheres têm de se dividir entre diversas atividades, como as seguintes: emprego fora de casa, trabalhos domésticos, assistência à infância (cuidado com filhos), educação escolar em casa (já que as escolas estão fechadas) e assistência a idosos da família

Antes da Covid-19, mulheres desempenhavam três vezes mais trabalhos não remunerados do que os homens; com o isolamento, a estimativa é que este número triplique;  mulheres não estão na esfera de poder de decisão na pandemia: elas são apenas 25% dos parlamentares em todo o mundo e menos de 10% dos chefes de Estado ou de Governo; e, no setor têxtil, um dos mais afetados da indústria em todo mundo e paralisado por causa do trabalho temporário de lojas, as mulheres são três quartos dos trabalhadores no mundo.

De acordo com o documento da ONU, "a pandemia teve e continuará a ter um grande impacto na saúde e no bem-estar de muitos grupos vulneráveis". O texto prossegue: "As mulheres estão entre as mais afetadas."

Além do aumento da desigualdades e da violência de gênero já existentes, o relatório alerta para o fato de que as mulheres são maioria na linha de frente contra o coronavírus.

"A mulheres constituem cerca de dois terços da força de trabalho em saúde em todo o mundo e, embora estejam globalmente sub-representadas entre médicos, dentistas e farmacêuticos, representam cerca de 85% das enfermeiras e parteiras", diz o relatório "Mulheres no centro da luta contra a crise Covid-19", da ONU Mulheres.

Com relação ao ambiente familiar, o texto lembra que a pandemia tem aumentado os afazeres de trabalho não remunerado entre as mulheres. Além disso, o fechamento de escolas e creches, por exemplo, não apenas aumentará a quantidade de tempo que os pais devem gastar em assistência e supervisão infantil, mas também forçará muitos a supervisionar e liderar a educação em casa.

No que se refere às mais afetadas, o relatório alerta que os piores efeitos da pandemia poderão ser sentidos principalmente entre as mulheres que vivem em países em desenvolvimento. “As consequências econômicas e sociais da crise exacerbarão as desigualdades e a discriminação existentes contra mulheres e meninas, especialmente contra as mais marginalizadas e as que já estão em extrema pobreza”, aponta o documento.

Violência doméstica - Antes da pandemia, em novembro de 2019, a ONU Mulheres divulgou um relatório em que mostrava que uma em cada cinco mulheres havia sofrido violência física ou sexual dentro de casa nos 12 meses anteriores. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) reportou, também no ano passado, que uma em cada três mulheres sofreu violência física ou sexual.

Em abril, a ONU Mulheres divulgou dados sobre o aumento de violência doméstica desde o começo das medidas de isolamento social: na Argentina, Canadá, França, Alemanha, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos, autoridades governamentais relatam crescentes denúncias de violência doméstica e aumento da demanda para abrigo de emergência; a França já registrou 32% do aumento de casos de violência doméstica desde o começo do isolamento social – Em Paris, o aumento foi de 36%; Na China, as denúncias de violência contra a mulher triplicou durante o confinamento; e Singapura e Chipre registraram um aumento de mais de 30% nas denúncias de violência doméstica.


Autor: Laís Modelli e Thais Matos com G1


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