Quinta-Feira, 13 de Agosto de 2020

Caciques xavantes do Araguaia denunciam descaso de indígenas com covid-19




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“Estamos morrendo!”, exclama o cacique Agnelo Temrite Wadzatse, em vídeo que circula nas redes sociais. Povos xavantes das aldeias São Marcos e Parabubure, localizadas nos municípios de Barra do Garças e Campinápolis (516 e 475 km de Cuiabá), denunciam o descaso do poder público para com os indígenas contaminados pela covid-19. Preocupados, caciques pedem por socorro.

As aldeias da região contam com mais de 800 indígenas. Segundo dados do boletim dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), da última sexta-feira (18), existem 269 casos confirmados de covid-19 entre os xavantes. Além disso, há registro de 28 óbitos em decorrência da doença.

A situação é crítica no local. Sem energia e distante da cidade, eles não recebem materiais de higienização ou Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), tampouco orientações sobre como lidar com o coronavírus. Os líderes também apontam que há muitas crianças e idosos contaminados. Além disso, conforme boletim da Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT), os leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal de Barra do Garças estão 75% ocupados.

“Só quem conhece mesmo lá para saber, o quanto que está triste a situação. Se nós aqui na cidade já estamos morrendo, tendo as vidas ceifadas, com todos os recursos, imagina quem está no mato, isolado, longe da cidade, onde tudo é caro”, relata o voluntário e profissional da saúde, Ruy Barbosa, que acompanha de perto os xavantes da região.

O cacique Arnaldo Tsererowê, de Campinapólis, comenta sobre as mortes recentes de indígenas da aldeia Sangradouro. “Na reserva Parabubure não tem nenhuma pessoa, por exemplo, fiscalizando o próprio indígena. Não fazem levantamento, nem acompanhar. Não tem nenhum. Eu, como liderança, nunca soube de agente de saúde que acompanhou a reunião na Secretaria Municipal de Saúde, junto com prefeito”, lamenta.

Da aldeia São Marcos, em Barra do Garças, o cacique Agnelo Temrite Wadzatse divulgou vídeo, cobrando as autoridades. De acordo com ele, as ações do DSEI não estão chegando nas aldeias. Ao todo, existem apenas 32 Unidades Básica de Saúde Indígena, para atender os 68.440,25 km² do território xavante.

“O DSEI Xavante hoje, a coordenadora atual não está fazendo nada. Precisa ser resolvido o mais urgente possível. Isso é inaceitável, ridículo, a gente continuar a ver essas ações que não aparecem nas nossas aldeias. Estamos morrendo, povo xavante pede socorro!”, exclama. 

Como profissional da saúde, Ruy fez orientações aos indígenas. Ele detalha que eles estão fazendo sabão, com banha de porco, para poder higienizar as mãos. Além disso, falou sobre o uso de água sanitária e evitar sair ao máximo das aldeias.

Ajuda - Sem receber materiais ou amparo da União, as aldeias contam com a solidariedade para sobreviver à pandemia. Ruy, por exemplo, após receber uma ligação chorando do professor indígena Edmar Mitu, organizou doações de álcool em gel e máscaras. A reportagem entrou em contato com a Sesai e DSEI, no entanto, até o fechamento dessa matéria não obteve resposta.


Autor: AMZ Noticias com Gazeta Digital


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