Quarta-Feira, 21 de Abril de 2021

Greve dos Correios impacta entrega de boletos e encomendas em cidades de Mato Grosso




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A paralisação dos trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) afeta entre 70 e 80% dos serviços nos 141 municípios de Mato Grosso. A greve por tempo indeterminado começou na última terça-feira (18) e a estimativa dos sindicalistas é que o movimento provoque paralisação completa do tráfego postal e de encomendas postadas em todo o estado para qualquer destino do país, como Rondônia, Mato Grosso do Sul e Acre.

Diariamente, são manipulados entorno de 500 mil objetos dia. Por causa da pandemia estavam sendo tratadas encomendas ainda do último dia três. Durante toda a paralisação, serão mantidos apenas os 30% dos serviços. A prioridade será os serviços essenciais, como entrega de medicamentos e insumo para vacinas. “Não vamos deixar essa parcela da população na mão”, garantiu o diretor jurídico do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios em Mato Grosso (Sintect-MT) Alexandre Aragão.

Conforme ele, ficarão suspensos o funcionamento das agências, entrega de encomendas, contas, faturas e demais correspondências. Na avaliação do Sintect-MT, a greve deflagrada é considerada a maior greve na história dos correios, nos últimos 15 anos. A última tinha sido registrada em 2008 e durou 21 dias. Naquele ano, como agora, a paralisação aconteceu em todos os estados mais o Distrito Federal.

Na pauta dos trabalhadores constam a realização de concurso público, a manutenção dos direitos já conquistados e pela não privatização da ECT. Alexandre Aragão disse que a greve não é por reivindicação salarial, mas para manter direitos conseguidos com luta. “Não queremos nenhum aumento, queremos assegurar nossos direitos”, destacou. Ele explica que das 79 cláusulas com direitos, a direção retirou 70 delas, a exemplo dos 30% do adicional de risco, vale alimentação, licença maternidade de 180 dias, auxílio creche, indenização de morte e auxílio creche.

Além disso, à medida que as cidades crescem, o número de funcionários diminui. “Não tem número de funcionários suficientes para fazer as entregas nos bairros e não consegue atender também nas cidades menores por falta de trabalhador, por exemplo.

O déficit de trabalhadores na empresa é grande. O último concurso foi em 2011. De lá para cá só acontecem demissões enquanto aumenta a demanda pelos serviços da empresa. “Para se ter uma ideia, em Mato Grosso já fomos 1.700 trabalhadores e hoje um pouco mais 1.200; a nível nacional eram 140 mil e hoje apenas 100 mil”, informou.

Aragão informa ainda que os Correios são, entre outras estatais, objeto de privatização embora tenha se revelado uma empresa lucrativa e com serviços crescentes devidos às compras pela internet onde a logística realizada pela ECT tem apresentado resultado que impactam positivamente o balanço da estatal que já considerada a empresa mais eficiente do Brasil.

Em nota, os Correios afirmaram que a paralisação da categoria é parcial e não afeta os serviços de atendimento da estatal. Segundo levantamento realizado pela empresa, na terça-feira, 83% do efetivo total dos Correios no Brasil trabalhavam regularmente. “A empresa já colocou em prática seu Plano de Continuidade de Negócios para minimizar os impactos à população. Medidas como o deslocamento de empregados administrativos para auxiliar na operação, remanejamento de veículos e a realização de mutirões estão sendo adotadas”, informou.

Ainda, segundo a nota, desde o início das negociações com as entidades sindicais, os Correios tiveram um objetivo primordial que o de cuidar da sustentabilidade financeira da empresa, a fim de retomar seu poder de investimento e sua estabilidade, para se proteger da crise financeira ocasionada pela pandemia.

“Conforme amplamente divulgado, a diminuição de despesas prevista com as medidas de contenção em pauta é da ordem de R$ 600 milhões anuais. As reivindicações da Fentect (Federação dos Trabalhadores), por sua vez, custariam aos cofres dos Correios quase R$ 1 bilhão no mesmo período - dez vezes o lucro obtido em 2019. Trata-se de uma proposta impossível de ser atendida”, pontou.

A garantia ainda é de que nenhum direito foi retirado. “Vale ressaltar que, dentre as medidas adotadas para proteger o efetivo durante a pandemia, a empresa redirecionou empregados classificados como grupo de risco para o trabalho remoto - bem como aqueles que coabitam com pessoas nessas condições –, sem qualquer perda salarial”, afiançou.


Autor: Redação AMZ Noticias


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