Quarta-Feira, 16 de Junho de 2021

Era uma vez a Imprensa




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Arrecadação em queda. Décimo terceiro salário ameaçado. RGA então em se fala. Esse é o discurso do governo democrata de Mauro Mendes. Mato Grosso praticamente não lê, limitando-se a olhar os títulos. Diante disso, a população sabe apenas o que é anunciado pelo Palácio Paiaguás.

A falta de leitura tira o poder crítico do cidadão, que desinformado, via de regra vai pras redes sociais discutir questões que exigem conhecimento, discernimento e acompanhamento, sem que nada saiba. Esse cenário de apatia intelectual é benéfico ao governador, que não sofre questionamento e, portanto, não tem necessidade de assumir que paralelamente aos índices de redução da receita o Estado investe menos em custeio, obras e programas sociais, o que equilibra o orçamento. A ausência da leitura também o impede de saber sobre a realidade orçamentária municipal de sua base territorial e na Assembleia Legislativa.

O governo de Mauro Mendes não se caracteriza por realização de grandes obras. Sua marca, se a isso pode se chamar assim, é a construção de uma ponte ali outra aqui outra acolá, todas com recursos de um programa que começou com o governador Silval Barbosa, passou por Pedro Taques e que continua, mas sempre mudando de nome pra massagear o ego do govenante. Fora disso, praticamente nada, a não ser arremedo de obra igual a vergonhosa restauração do anel viário de Rondonópolis, que custou os olhos da cara, foi muito demorada, e que já está deteriorada.

O cidadão que não lê é o mesmo que conhece a fundo – nas redes sociais – o que houve entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro Sérgio Moro; é a mesma figura que conhece  com detalhes a evolução patrimonial do Lulinha, a ponto de se descabelar em sua defesa; e o mesmo que domina a economia mundial; é aquele que é íntimo do novo coronavírus desde seu surgimento na China, no mesmo berço da Glycine max, a famosa soja, da qual seria primo em primeiro grau; é aquele que virtualmente põe a mão no fogo pelo clã Bolsonaro.

O cidadão que não lê também é o mesmo que não sabe sobre a redução do custeio do transporte escolar; da queda no consumo de energia, água e combustível; na economia de material gráfico e nas rodadas gastronômicas no Colégio de Líderes na Assembleia; no menor desembolso pra prefeitos, secretários e vereadores fazerem turismo intitucional (diurno) e andanças (noturnas) em Cuiabá. Que desconhece os recursos aportados no governo estadual e prefeituras pra enfrentamento da pandemia, que nunca exigiu ao mesmo tempo mais que 25 leitos de unidades de terapia intensiva e pouco mais do que isso em enfermaria.

O cidadão que não lê, desconhece que em razão do novo coronavírus há significativa redução no número de homicídios e de acidentes de trânsito com vítimas, o que diminui a demanda hospitalar. O cidadão que não lê, não sabe que a soltura de centenas de presos reduziu o custo com a alimentação no sistema penitenciário. O cidadão que não lê desconhece que a demanda SUS registra baixo índice no comparativo com períodos anteriores, em razão da suspensão de cirugias eletivas e de boa parte do atendimento em consultórios, laboratórios e ambulatórios.

A soma do descompromisso social do cidadão que nao lê com o atrelamento de sites, televisão, rádio e jornais com os cofres do governo e Assembleia resulta na porra-louquice nas redes sociais.

Não é motivador escrever, sabendo que o texto terá pequeno número de leitores. Vivemos a antevéspera do fim do bom jornalismo, que será substituído pelas redes sociais. Digo isso pelo acúmulo de fatos que apontam pra essa direção. Um exemplo: no começo de 2018, quando Taques entrava em cena pra tentar – sem sucesso – a reeleição ao governo, fiz uma matéria sobre a associação dos prefeitos (AMM), na qual mostrei que em dezembro de 2014 o deputado José Riva elegeu Neurilan Fraga presidente daquela entidade derrotando o candidato de Taques, Otaviano Pivetta. No texto mostrei que Riva, mesmo baleado politicamente e a um passo da guilhotina – pois ficaria sem mandato no começo do ano seguinte – bateu o poderoso governador. Ao material dei o título: Riva mesmo caído derrota Taques. Postei chamada em minha página no Facebook.

Arremato. Um advogado, membro da Academia Mato-grossense de Letras e também membro de outra academia, postou uma resposta indignada em minha página, dizendo que Riva jamais derrotaria Taques; por pouco não pediu que me retratasse. Sugeri a ele que lesse o texto, pois sua leitura lhe permitiria, inclusive, se redimir. A resposta foi a do cidadão que não lê: Vi apenas o texto. Era uma vez a Imprensa na terra do Patrono das Comunicações, o Marechal Rondon. E viva o cidadão que não lê!

*Eduardo Gomes de Andrade é jornalista com mais de quatro décadas de trabalho


Autor: Eduardo Gomes de Andrade


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