Domingo, 19 de Setembro de 2021

Dados mostram que redução de gastos com inovação afeta investimento em saúde no Brasil




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As consequências da pandemia provocada pelo avanço do novo coronavírus no Brasil externaram a precariedade de alguns setores, principalmente ligados à área da saúde. A atual crise deixou claro, por exemplo, que a falta de investimentos em inovação repercute na maior fragilidade tecnológica do Complexo Industrial da Saúde (CIS). É o que revela um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com base na Pintec 2017.

Um dos autores do estudo, o pesquisador Rafael Leão afirma que o setor de equipamentos médicos é o que mais causa preocupação, já que fornece produtos importantes para o Sistema Único de Saúde (SUS) e mantém indicadores insuficientes de gasto em pesquisa e desenvolvimento desde 2011. “A queda dos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação em saúde representa um risco para a saúde da população brasileira”, avalia.

“O Brasil, hoje, depende de insumos hospitalares, médicos e farmacêuticos importados. Em situações de crise aguda como a que temos agora, nós somos pegos de ‘calças curtas’, porque você não consegue acessar o mercado internacional, já que houve um desabastecimento global. Quando você se volta para a produção interna e percebe que não há respostas tecnologicamente adequadas, assim você tem um cenário de acirramento da crise sanitária”, opina Leão.

O professor de finanças do IBMEC, George Sales, acredita que, de maneira geral, o Brasil investe pouco em inovação e pesquisa. Na avaliação dele, essa carência afeta de forma direta o desenvolvimento da saúde do país, além de interferir em projetos econômicos.

“No caso de uma situação crítica como a que vivemos hoje, de uma pandemia, ter uma indústria nacional no setor de saúde ajudaria bastante. A gente fica dependendo de importação e concorremos com outros países na formação de uma fila para ser atendido, com gastos mais elevados. Em momentos de crise, mostra-se que o que deixamos de investir, pagamos agora”, opina professor. 

De acordo com o levantamento divulgado pelo Ipea, o total de investimentos deste segmento em inovação registrou uma queda de 10,6% das receitas líquidas em 2011 para 1,9% em 2017. Na indústria de materiais médicos, passou de 0,7% em 2008 para 1,7% em 2014, declinando para 1% em 2017. Já na indústria farmacêutica, houve redução de 4,9% em 2008 para 3,5% em 2017.

Rafael Leão chama a atenção, no entanto, para a elevação consistente de gastos em pesquisa e desenvolvimento em proporção às inversões totais em atividades inovadoras. Na prática, segundo o pesquisador, isso significa que há uma tendência de alteração do padrão brasileiro, em relação ao que já fazem países desenvolvidos como Alemanha, França, Espanha e Itália.

“O gasto em pesquisa e desenvolvimento é uma fração do gasto total com inovação. Dessa forma, podemos dizer que a parte mais nobre do gasto em inovação aumentou na indústria farmacêutica e alcançou, na última pesquisa, o patamar de alguns países europeus, em torno de 70%”, explica Leão.  Ainda segundo o balanço, os investimentos em inovação no conjunto do Complexo Industrial da Saúde registraram diminuição de forma contínua desde 2011, quando passou de 4,6% das receitas líquidas para 3,5% em 2017.


Autor: Marquezan Araújo com AgênciadoRadio


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