Sábado, 08 de Maio de 2021

Municipio de São Félix do Xingu é apontado como o maior emissor de gases de efeito estufa do Brasil




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Devido as suas dimensões territoriais continentais e  sendo o segundo maior estado do país em extensão territorial, com uma área de 1.245 870,798 km², constituindo-se na décima-terceira maior subdivisão mundial e status de uma das últimas fronteiras de abertura da floresta para criação de pastos e agricultura de subsistência, o Pará é apontado como o campeão nacional de emissão e remoção de gases de efeito estufa, segundo revela a primeira edição do SEEG Municípios, uma iniciativa inédita do Observatório do Clima.

Os dez municípios campeões de gases de efeito estufa (GEE) do Brasil emitem juntos 172 milhões de toneladas brutas de gás carbônico equivalente (CO2e). É mais do que países inteiros como o Peru, a Bélgica ou as Filipinas. E sete desses grandes emissores ficam na Amazônia, onde o desmatamento é a principal fonte de emissões.

O SEEG calculou as emissões de gases de efeito estufa de todos os 5.570 municípios brasileiros. O levantamento cobre todos os anos de 2000 a 2018 e é detalhado para mais de uma centena de fontes de emissões nos setores de energia, transporte, indústria, agropecuária, tratamento de resíduos e mudanças de uso da terra e florestas.

Sete dos dez maiores emissores do país estão no bioma, mostra primeiro mapeamento municipal de gases de efeito estufa do país. Esta é a primeira vez que se enxerga as emissões na esfera municipal, e a primeira vez que um levantamento desse tipo é feito para um país gigantesco como o Brasil. O objetivo é aumentar o conhecimento de prefeitos, câmaras de vereadores e da sociedade local de todo o país sobre a dinâmica das emissões e prover uma ferramenta para o desenvolvimento de políticas de desenvolvimento municipal com redução de carbono.

O município que mais emite gases de efeito estufa do Brasil é São Félix do Xingu (PA), com 29,7 milhões de toneladas brutas de CO2e em 2018. Desse total, as mudanças de uso da terra, em sua maior parte provenientes do desmatamento, respondem por 25,44 milhões de toneladas, seguidas pela agropecuária, com 4,22 milhões de toneladas de CO2e, emitidas principalmente pela digestão do rebanho bovino. O município paraense tem o maior número de cabeças do país.

Se fosse um país, São Félix do Xingu seria o 111º do mundo em emissões, à frente de Uruguai, Noruega, Chile, Croácia, Costa Rica e Panamá, segundo dados do Cait, o ranking global de emissões do World Resources Institute. O município localizado a 1.050 km da capital, Belém, tem uma área de 84.213 km² ocupada, em 2018, por 128 mil habitantes. Como, então, seria o campeão das emissões no Brasil, deixando São Paulo com apenas o quarto lugar?

A explicação está na economia. São Félix do Xingu não tem as fábricas de São Paulo, muito menos a frota de automóveis, em compensação tem o maior rebanho bovino do País. A base da economia é a pecuária de corte, e o rebanho atingia 2,5 milhões de cabeças em 2019. Segundo matéria da TV alemã Deutsche Welle “os dados foram contabilizados na última vacinação pelo Sindicato dos Produtores Rurais.”

Já se sabia que a maior contribuição do Brasil para as emissões vem do desmatamento, mas o que era desconhecido era a posição de cada município no total das emissões. Em 2018, São Félix do Xingu emitiu um total de 29,7 milhões de toneladas equivalentes de dióxido de carbono (CO2e). Se fosse um país, estaria na frente de Uruguai, Chile, Costa Rica ou Noruega.

MONITORAMENTO DO INPE - O monitoramento anual feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostra que em 2019 São Félix do Xingu foi responsável por um terço do desmatamento em toda a Amazônia. O dado é confirmado também por Carlos Cruz da Silva, em matéria da Deutsche Welle, à frente do Ministério Público Estadual na cidade: “O desmatamento irregular é, sem dúvida, a principal ação criminal com que nos deparamos aqui em São Félix do Xingu.“

Segundo o estudo, as emissões em São Félix do Xingu são oriundas do desmatamento, seguido pela agropecuária. É preciso lembrar que durante a digestão o rebanho lança na atmosfera o gás metano, ainda mais potente que o CO2. Os municpios campeões das emissões no Brasil são pela ordem, São Félix do Xingu, Altamira (PA), Porto Velho (RO), Pacajá (PA), Colniza (MT), Lábrea (AM) e Novo Repartimento (PA). Juntos estes municípios emitem 172 milhões de toneladas brutas de CO2 equivalente.

O desmatamento também faz dispararem as emissões per capita dos municípios amazônicos. Cada morador de São Félix do Xingu, por exemplo, emite 225 toneladas de CO2e por ano, quase 22 vezes mais que a média de emissões brutas per capita do Brasil, 12 vezes mais que a dos Estados Unidos e seis vezes mais que a do Qatar, o país com maior emissão per capita no mundo.

Situação ainda pior é a de Colniza, no noroeste de Mato Grosso: sexto maior emissor do país, com 14,3 milhões de toneladas de CO2e emitidas em 2018, Colniza tem a maior emissão per capita bruta do Brasil: 358 toneladas. É como se cada habitante do município tivesse mais de 300 carros rodando 20 km por dia.

Por outro lado, e esta é uma boa notícia do levantamento, municípios amazônicos extensos com muitas áreas protegidas também têm grandes remoções de gases de efeito estufa. Isso reduz as chamadas emissões líquidas. O campeão de remoções é Altamira, o maior município do Brasil em área, que tem remoções de mais de 22 milhões de toneladas de CO2e. São Félix do Xingu tem remoções de 10 milhões de toneladas.

Dos dez municípios campeões de emissão bruta no país, apenas três ficam fora da Amazônia: São Paulo, Rio de Janeiro e Serra, no Espírito Santo. O setor de energia, em especial os transportes, se destaca como principal fator de emissão nas grandes cidades, principalmente as capitais. Serra, que abriga uma siderúrgica, tem suas emissões sobretudo por processos industriais.


Autor: AMZ Noticias com Zé Dudu


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