Sábado, 04 de Dezembro de 2021

De amanhã do Brasil – Por Eduardo Gomes de Andrade




COMPARTILHE

Antes do passo no escuro Mato Grosso deve observar que há uma distância abismal entre 1964 e 2021, não somente no tocante ao tempo, mas sobretudo nos objetivos. Diante disso é necessário refletir sobre o movimento previsto para amanhã, 15 de março, em apoio ao presidente Jair Bolsonaro.

Em 1964 o mundo se dividia entre dois blocos com os comunistas liderados pela União Soviética, e os democratas, pelos Estados Unidos. País continental, com  pequena população, grandes vazios demográficos, imensurável riqueza mineral e invejável reserva de água doce, o Brasil era cobiçado por ambos os grupos.

À época a esquerda ideológica tramava por todos os meios para transformar o governo do comunista presidente Jango Goulart numa ditadura proletária. As Forças Armadas  e a maioria da população se uniram, e antes do planejado golpe aplicaram  o contragolpe em 31 de março daquele ano.

Com o marechal Castelo Branco à frente os militares assumiram o poder, mas o fizeram sem culto à personalidade e de modo a observar o cumprimento do mandato presidencial, sem reeleição. Não se cultuava general. Foi um período fértil para o crescimento e o desenvolvimento social. Para Mato Grosso os militares deixaram a UFMT, a pavimentação de Cuiabá a Porto Velho, Goiânia e Campo Grande, a telefonia interurbana capilarizada, os linhões de transmissão de energia, a rodovia BR-163 e outras conquistas.

 Beneficiado juntamente com o país, o povo mato-grossense recebeu o Estatuto da Terra e os programas Probor, Polonoroeste e de fomento agropecuário. O ciclo dos miliares no poder se arrastou de 1964 a 1985.  Não se pode negar que ocorreram mortes, mas sem deixar de observar que de ambos os lados da luta entre comunistas e democratas.

Não há mais ameaça comunista ao Brasil. Evidentemente que um ou outro camarada resiste, mas nunca em número ou poderio capaz de abalar a democracia. Do período restaram os comunistas de botequim, filósofos do Apocalipse político, sempre acomodados em funções burocráticas de pouco ou nenhum resultado prático ao Estado e ao cidadão.

Ficaram e também nasceram após o regime militar, lunáticos que defendem a extinção das igrejas, enfiam crucifixo no ânus e sustentam que Jesus Cristo foi gay. Tanto eles quanto os pastores que se tornam milionário explorando a boa-fé cristã, a exemplo de Edir Macedo e Valdemiro Santiago não abalam a institucionalidade; não passam de atrevidos e astutos pecadores que mais cedo ou mais tarde serão julgados por Deus.

Em 15 de março de 2021 Bolsonaro quer o povo nas ruas gritando seu nome e atacando seus imaginários detratores e inimigos do Brasil. Isso é a mais pura sandice. Somos um Estado Democrático de Direito na plenitude de seu funcionamento, porém esse Estado é avacalhado pela covarde submissão de seu povo, do qual uma parcela golpista quer sair às ruas com um altar para Bolsonaro, ao qual chamam de Mito.

O discurso intempestivo dos adoradores do Mito é lastreado na roubalheira do ex-presidente Lula da Silva e grandes cabeças coroadas petistas a exemplo de Zé Dirceu, Palocci e Delúbio. Não se pode negar o quadrilhismo palaciano no ciclo Lula-Dilma, mas isso não serve de alimento ao sonho do golpe por Bolsonaro, pois a classe política, com uma exceção aqui, ali ou acolá foi contaminada pelo vírus da corrupção. Ladroagem não desestabiliza Estado e contra ela basta a lei.

A covarde submissão do povo, no caso específico de Mato Grosso, o leva ao endeusamento de Bolsonaro e ao ato de satanização de Lula tudo em nome da moralização e contra a corrupção. Onde estão as vozes dos mato-grossenses adoradores do Mito que não ecoam pelas redes sociais cobrando justiça contra os corruptos, condenados em primeira instância, processados, denunciados e delatados filiados a outros partidos e ditos de direita. Silval Barbosa, José Riva, Éder Moraes, Permínio Pinto, Guilherme Maluf, Sérgio Ricardo, Humberto Bosaipo, Zé Carlos do Pátio, Eduardo Botelho, Emanuel Pinheiro, José Domingos, Luciene Bezerra,  Gaspar Domingos Lazari, Wilson Santos, Sílvio Corrêa, Pedro Henry, Ezequiel Fonseca, Percival Muniz, Nilson Leitão, Valter Albano, Waldir Teis, Maurício Guimarães, Pedro Elias, Mauro Savi, Gilmar Fabris, Pedro Satélite, Afonso Dalberto, Chico Lima, Huark Douglas, José Carlos Novelli, Azambuja, Airton Português, Campos Neto, Romoaldo Júniror, Dilmar Dal”Bosco e tantos outros que não pertencem ao PT, muito embora aquele partido também tenha contribuído com a corrupção em Mato Grosso. Desse pessoal. somente Silval, Sílvio, Riva e Permínio assumem mea culpa, e os demais juram a mais casta inocência.

Nâo é transformando Bolsonaro em ditador que o Brasil encontrará a saída que precisa. Apesar da fragilidade moral reinante no Congresso Nacional é nele que precisamos encontrar o fio da meada para a mudança de regras. Qual a legitimidade de um desembargador escolhido pelo governador que opta por seu nome atendendo a inclinação da Assembleia Legislativa? Isso também se aplica ao Supremo Tribunal Federal. Para reverter Brasília é preciso que se dê exemplo doméstico.

Qual voz se levanta quanto a isso nesta abençoada e ensolarada terra de Valdon Varjão, Norberto Schwantes, Gabriel Novis Neves, Dario Hiromoto, Irma Vita, Zé Paraná, André Maggi, Jorilda Sabino, Bruna Viola, Munefumi Matsubara, Lúcio da Luz, Liu Arruda, Lázaro Papazian, Claudino Francio, Padre João Henning, José Aparecido Ribeiro, coronel José Meirelles,  Olacyr de Moraes, Zulmira Canavarros,  Cacheado, Vanessa da Mata, Moisés Martins e Padre Lothar?

Hipocrisia no segundo andar e submissão no térreo não é a melhor conduta. Lutemos pela moralização em Mato Grosso e com esse procedimento irradiemos esse exercício de cidadania ao país. Ruas vazias em 15 de março, porque não se semeia ditadura tanto em época de pandemia, quando a aglomeração tem que ser evitada, quanto fora dela. 

Que todos procurem entender a distância de 1964 a 2021. Que olhem no retrovisor e analisem a podridão no poder mato-grossense em todas as esferas. Deixem que Bolsonaro cumpra o restante de seu mandato. Esperemos que ao término do qual  tenhamos nova mentalidade à frente do Brasil nessa terra de esquerda inconsequente e direita praticante da lei de Gérson.

Finalmente, não assinem cheque em branco ao presidente, que tem tendência ditatorial, é egocêntrico e sem preparo para responder pelo Brasil. Bolsonaro se elegeu num momento em que a população pedia o fim da corrupção e não por demonstrar aptidão ao cargo ou capacidade administrativa. Somei o meu ao voto brasileiro pela quebra da corrente corrupta, mas ela continua e fez o mandatário se curvar ao Centrão.

Em suma, não se justifica mais Bolsonaro presidente, mas ele deve permanecer com a faixa presidencial até 31 de dezembro de 2022. Quando a transmitir iniciaremos outra era, essa sucessora temporal de 1964, de Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro. Que em 2023 os deixemos no passado, com seus erros e acertos. Até lá, que nos pautemos pela serenidade e nos empenhemos na moralização da vida pública mato-grossense.

Fora dessa ótica, alimentando o discurso de Bolsonaro é a convalidação do status quo mato-grossense do poder, com o empreguismo e as imorais relações do empresariado com o Estado em sua amplitude, onde se acomodam as filhas bonitas, os filhos atrapalhados, os genros que não encontram o fio da meada e os próprios patrocinadores do golpe que se anuncia e os que se opõem a ele.

Sejamos mais mato-grossenses pra que tenhamos autenticidade para opinarmos sobre o amanhã do Brasil.

*EDUARDO GOMES DE ANDRADE é um dos mais respeitados jornalistas de Mato Grosso, com mais de 4 décadas de atuação na Boa Midia 


Autor: Eduardo Gomes de Andrade


Comentários
O Norte Araguaia não se responsabiliza pelos comentários aqui postados. A equipe reserva-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros.

Nome:
E-mail:
Mensagem:
 



Copyright - Norte Araguaia e um meio de comunicacao de propriedade da AMZ Ltda.
Para reproduzir as materias e necessario apenas dar credito a Central AMZ de Noticias