Sábado, 08 de Maio de 2021

Raoni pede para Joe Biden ignorar Bolsonaro e dispara 'Ele tem dito muitas mentiras'




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O cacique Raoni Metuktire, líder do povo Kayapó, em Mato Grosso, encaminhou uma mensagem ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pedindo para ele ignorar o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que prometeu zerar o desmatamento ilegal no Brasil até 2030 em carta enviada aos EUA, nessa quinta-feira (15). A reportagem solicitou posicionamento do Palácio do Planalto sobre as declarações de Raoni, mas ainda não recebeu retorno.

Em um vídeo divulgado pelo Instituto Raoni, o líder indígena afirma que Bolsonaro "tem dito muitas mentiras" e que quer liberar o desmatamento nas florestas e incentivar invasões nas terras brasileiras. "Se este presidente ruim falar alguma coisa para o senhor, ignore-o (...). Estou triste por saber que tudo o que eu tenho feito em prol do meio ambiente está cada dia mais ameaçado", diz.

O vídeo foi exibido no Fórum Nacional em Defesa da Amazônia no Congresso Nacional, nessa quinta-feira (15). Senadores americanos pedem que Joe Biden não dê dinheiro ao Brasil. Segundo o Instituto Raoni, a manifestação foi provocada pela preocupação do presidente Biden em avançar em um acordo entre EUA e Brasil, com foco na Amazônia.

Raoni Metuktire é conhecido internacionalmente pela luta em defesa da preservação da Amazônia e dos povos indígenas. No comunicado, ele pediu a ajuda do presidente dos EUA para encontrar soluções a fim de proteger o meio ambiente. "Me ajude e eu também vou te ajudar, para que possamos conseguir somente coisas boas. Eu não sei falar seu nome, mas o meu nome o senhor já conhece. Me chamo Raoni. Não estou aqui de brincadeira. Sempre lutei pela permanência desta floresta", disse o cacique.

Jair Bolsonaro divulgou uma carta de sete páginas, na qual diz estar disposto a trabalhar para cumprir as metas ambientais do país no 'Acordo de Paris', e para isso pede recursos da comunidade internacional. No documento, ele também pediu apoio aos Estados Unidos para alcançar o objetivo.

Bolsonaro foi um dos 40 líderes mundiais convidados por Biden para participar de uma reunião sobre clima. A chamada "Cúpula dos Líderes sobre o Clima" será nos dias 22 e 23 de abril e de forma remota, com transmissão ao vivo pela internet. “Queremos reafirmar nesse ato, em inequívoco apoio aos esforços empreendidos por vossa excelência, o nosso compromisso em eliminar o desmatamento ilegal no Brasil até 2030”, disse Bolsonaro na carta enviada ao presidente dos Estados Unidos.

Em 2019, durante seu primeiro discurso na Organização das Nações Unidas (ONU), Bolsonaro disse que Raoni era usado por governos estrangeiros para impulsionar seus interesses na Amazônia e questionou sua liderança. Raoni, por sua vez, contestou várias vezes as posições de Bolsonaro, que defende a exploração da mineração e da agropecuária em reservas naturais e terras indígenas.

De acordo com um levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o desmatamento na Amazônia em 2020 foi o maior dos últimos dez anos, com um crescimento de 30% em relação ao ano anterior. Segundo dados de Satélite, cerca de 8 mil km² de floresta foram derrubados.

Na carta, Bolsonaro apresentou dados relacionados à preservação ambiental no país e disse que era "evidente a magnitude dos esforços que a Nação brasileira realizou, através dos séculos, para preservar esse patrimônio".

O presidente também se comprometeu com a busca dos compromissos e resultados que serão articulados na "Cúpula dos Líderes sobre o Clima". “[...] Nas grandes conferências das Nações Unidas sobre estes temas, o Brasil foi um dos promotores do conceito do desenvolvimento sustentável. Assim, asseguro meu engajamento na busca de compromissos e resultados ambiciosos na Cúpula de 22 de abril", afirmou.

ACORDO DE PARIS -  Na documento, o presidente reforçou o compromisso de neutralizar a emissão de gases causadores do efeito estufa até 2060. A promessa foi feita no Acordo de Paris que completou cinco anos em 2020 e, por isso, precisou ser renovada. “Comprometemo-nos com o objetivo de longo prazo de alcançar a neutralidade climática em 2060, mantendo aberta, ainda, a possibilidade de ir além e anteciparmos esse prazo para 2050, caso seja possível viabilizar recursos anuais significativos, que contribuam nesse sentido", afirmou.

RAONI METUKTIRE -  O líder indígena tem 90 anos e é reconhecido internacionalmente pela luta que articula pelos povos indígenas. Em 1989, ele teve um encontro histórico com o cantor Sting durante o I Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, em Altamira (PA). Os dois se reencontraram em 2009 na cidade de São Paulo para conversar sobre a construção da Usina de Belo Monte.

Em novembro de 2012, Raoni foi recebido pelo presidente da França, François Hollande, no Palácio do Eliseu. Na ocasião, o cacique pedia a preservação da Amazônia e dos povos que vivem na região. No ano passado, Raoni foi chamado pelo presidente Jair Bolsonaro de "peça de manobra" usada por governos estrangeiros para "avançar seus interesses na Amazônia".

A declaração foi feita após o cacique ter se encontrado com o presidente da França, Emmanuel Macron, em busca de apoio para a defesa da Amazônia. Em setembro de 2020, o líder indígena foi curado da Covid-19 após uma semana internado em Sinop, no norte do estado.


Autor: AMZ Noticias com G1


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