Sábado, 08 de Maio de 2021

Índigenas querem protagonismo no debate sobre exclusão e a produção em seus territórios




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O Dia do Índio, 19 de abril, é, pelo que registra a história, e continuará sendo uma data para exposição de questões e reflexão sobre direitos, história e lutas dos povos indígenas. No Estado de Mato Grosso, a população indígena está estimada em 52 mil habitantes, divididos em 43 povos. Aqui persistem problemas de invasão de terras para exploração de garimpos e extração de madeira.

Mas, entre os grandes temores e preocupações dos índios no país está a falta de demarcação de terras, a legalização de áreas dentro de reservas para iniciativa privada e o entendimento distorcido de que os índios são empecilhos ao desenvolvimento econômico do país.

Não apenas por essa visão, mas decisões políticas sobre ocupação e exploração econômica de territórios indígenas vêm mostrando que a maior luta do índio é pela preservação da própria existência e das novas gerações, diz o professor Valdemilson Ariabo.

“O Governo Federal quer apagar nossa existência influenciando a opinião pública com um discurso distorcido sobre nossas terras, nossa história, nossa cultura e nossas lutas”, reforça Ariabo que é biólogo e professor da rede pública estadual, Ariabo é diretor na Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt).

Por meio das organizações, como a Fepoimt, Valdemilson Ariabo Quezo espera que os povos indígenas possam exercer o protagonismo, participar dos debates e das decisões em suas próprias demandas.“Não somos incapazes e não aceitamos a exclusão. Precisam nos incluir nas discussões sobre políticas públicas, nossas terras e o desenvolvimento econômico do país”, completa.

Em um país como o Brasil, diverso em história, cultura e costumes, os índios precisam ser entendidos como parte dessa diversidade.Existem indígenas e demandas, assim como existem quilombolas e outros povos e comunidades tradicionais, lembra ele.

Em Mato Grosso, a Fepoimt foi criada em 2016 e tem como objetivos o fortalecimento da luta em defesa dos territórios indígenas e a demarcação das terras. E, claro, por direitos coletivos como Saúde, Educação, Segurança, entre outros. Com relação ao desmatamento, extração de madeira e garimpos ilegais em suas terras, Ariabo Quezo lembra que, em Mato Grosso, são questões antigas que já causaram muitos danos ambientais.

No caso do garimpo, por exemplo, esse enfrentamento ocorre há anos, em áreas como a dos chiquitanos, no município de Porto Esperidião (326 km a Oeste de Cuiabá), e na Reserva Sararé, da etnia nambikwara, em Pontes e Lacerda (448  km a Oeste da Capital).

Formado em Biologia pela Universidade Estadual (Unemat), Valdemilson Ariabo Quezo é da etniab balatiponé ou umutina, como é mais conhecida.A comunidade dele fica no município de Barra do Bugres (168 km ao Norte de Cuiabá) e é formada por 600 indígenas.

Casado com Ângela Mamainde, índia da etnia nambikwara, cujo território é na divisa entre Mato Grosso e Rondônia, tem um casal de filhos: Missiela, de 9 anos, e Aryamunu, de quatro meses. Por conta da função de diretor na Fepoimt, ele e a família vivem parte do tempo na aldeia e parte na capital mato-grossense.


Autor: AMZ Noticias com Diário de Cuiaba


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