Sábado, 19 de Junho de 2021

Delegada de Mato Grosso diz que cada investigação é uma história que fica em nossas carreiras




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Há 18 anos, esta descendente de italianos deixou sua terra natal, no oeste de São Paulo, para abraçar a carreira de delegada da Polícia Civil de Mato Grosso. Atualmente, como titular da Gerência  Estadual de Polinter e Capturas, Silvia Maria Pauluzi é daquelas pessoas que procura trazer para o trabalho um pouco do carinho com que trata suas coisas pessoais. Para ela, um ambiente bem cuidado e acolhedor faz bem a todos que estão ali para trabalhar e receber quem precisa dos serviços da Polícia Civil.

Durante sua trajetória, passou por delegacias especializadas da Polícia Civil em Cuiabá e foi diretora-geral adjunta na gestão do delegado Fernando Vasco Pigozzi. Mas foi na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, unidade de atuações intensas e complexas, onde ela passou a maior parte da carreira e de onde guarda boas recordações das equipes e também dos desafios nas investigações.

Logo que concluiu a Academia de Polícia, uma entre as três mulheres que tomaram posse como delegada em maio de 2003, Silvia foi lotada na Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Veículos, até então, um ambiente majoritariamente masculino, onde trabalhou por um ano. Depois, foi lotada na DHPP, onde ficou até assumir a função de diretora-geral adjunta da Polícia Civil, em 2017.

Foram muitas as investigações desafiadoras, os detalhes que levaram ao esclarecimento de cada um dos casos tocados pela Delegacia de Homicídios, as inúmeras perícias que auxiliaram no esclarecimento de centenas de homicídios. E Sílvia lembra de todos eles, especialmente dos que deram mais trabalho, daqueles que instigaram ainda mais o instinto policial e o tirocínio da profissional.

Ela se recorda de alguns das investigações marcantes, entre elas a da morte do investigador Edson Leite, que para a delegada foi bem complexa. Outro caso relembrado é o que vitimou um homem na região do Aricá, em 2006, e envolveu um ex-policial militar.

Mas um dos plantões que ficaram na memória da delegada é o do Dia das Mães de 2005, quando, em apenas um final de semana, a DHPP registrou 14 ocorrências com 17 homicídios atendidos, sendo um dos casos um triplo homicídio ocorrido no Distrito de Aguaçu, em Cuiabá.

“Era dia das mães, um plantão de 48 horas que fizemos na delegacia de trabalho muito intenso, desgastante. Estava longe da minha filha, que tinha 9 anos e me ligava a cada cinco minutos querendo saber se não ia passar o domingo com ela e dizia que era dia das mães e eu não deveria trabalhar”, recorda Sílvia rindo, pois uma criança naquela idade não entendia porque a mãe estava longe, em um dia dedicado a ela.

“Não teve, que me lembro, na história da DHPP um plantão como esse, com tantas ocorrências de homicídios. Me lembro bem, ficou marcado pra mim, pois estava bem no início da minha carreira”, conta ela. 

O triplo homicídio atendido pela equipe da delegada Silvia Pauluzi ocorreu em maio de 2005, em uma comunidade conhecida como Barra Grande, no Distrito de Aguaçu. Três irmãos  - de 27, 17 e 15 anos - foram mortos a tiros na residência onde moravam. As investigações apontaram que o autor principal dos crimes foi um pedreiro, procurado pela Polícia por outro homicídio cometido em Chapada dos Guimarães.

Ele se escondeu nas proximidades da chácara onde os irmãos moravam e conhecia as vítimas. Uma delas, adolescente de 17 anos, estava grávida.  O pedreiro confessou os crimes e as mortes teriam ocorrido porque  as duas adolescentes se recusaram a manter relações sexuais com ele. Apenas uma criança de 6 anos foi poupada na chacina.

As investigações e as histórias por trás de cada uma delas, as vítimas que estão em cada inquérito, as elucidações de cada crime, as centenas de prisões realizadas, de oitivas e locais de crime diligenciados fazem parte do enredo de vida dessa delegada paulista que abraçou com extremo profissionalismo e dedicação a Polícia Civil de Mato Grosso.


Autor: AMZ Noticias com Assessoria


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