Domingo, 26 de Junho de 2022

Proibição da pesca do pintado pelo Meio Ambiente causa confusão nas redes sociais




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A proibição da pesca do surubim (ou pintado) (Pseudoplatystoma corruscans) como espécie ameaçada de extinção pelo  Ministério do Meio Ambiente a partir do próximo mês de setembro, tem causado debates em redes sociais.

O motivo para tal situação e porque o peixe em questão, conhecido como surubim, ou pintado, (Pseudoplatystoma corruscans), é uma espécie que se distribui em grandes e importantes bacias da América do Sul, entre elas: São Francisco, Paraná, Paraguai e Uruguai. 

 O surubim é uma espécie de grande interesse para a pesca, especialmente no Pantanal, sendo um dos principais peixes desembarcados nas pescarias de toda a região pantaneira. Porém em rios das Bacias Amazônica e do Araguaia Tocantins o cachara (espécie distinta, mas também do gênero Pseudoplatystoma) é chamada de 'surubim' mas não é da mesma espécie que está na lista de proibição.

Portanto, de acordo com Luciana Carvalho Crema, coordenadora do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Aquática Continental do ICMBio, é preciso saber diferenciar essa espécie de outras que também são chamadas de "surubim". 

"O surubim ameaçado é o popularmente chamado de pintado. A cachara (espécie distinta, mas também do gênero Pseudoplatystoma) apesar de ser chamada de 'surubim' não está na lista. Os surubins do Doce, do Paraíba do Sul, que pertencem a outro gênero de bagre, o Steindachneridion, estão ameaçados. Ou seja, é necessário diferenciar essas espécies'”, conta ela.

Com isso, a pesca desse peixe está proibida em todo o Brasil, incluindo a atividade esportiva do "pesque e solte". A medida, publicada no início deste mês, passa a valer a partir do próximo dia 5 de setembro. A espécie Pseudoplatystoma corruscans está na categoria Vulnerável da Lista Oficial de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção. 

A decisão de listar o pintado como peixe ameaçado de extinção é resultado de uma extensa análise técnica do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que aplica os critérios de risco de extinção do método da IUCN (União Internacional de Conservação da Natureza), aceitos internacionalmente e utilizados por mais de 100 países. 

"Esses critérios avaliam diferentes aspectos da biologia das espécies, desde a distribuição geográfica até as reduções das populações. O fato de o surubim ter sido classificado como uma espécie ameaçada de extinção tem a ver com a redução das populações, principalmente nas bacias do São Francisco e do Paraná", explica Luciana. 

Ainda segundo a especialista, tendo em mente que o surubim é uma espécie que migra por longas distâncias, o principal motivo desses declínios é a existência de diversos barramentos sequenciais nessas bacias, que impedem as rotas migratórias. No trecho baixo do rio São Francisco, por exemplo, a jusante da Usina Hidrelétrica do Xingó, o surubim desapareceu. Na bacia do rio Paraná, em trechos do rio Paranapanema, ele também não é mais encontrado na pesca. 

"Outro problema que prejudica as populações de surubim é a contaminação genética, que pode ocorrer em virtude da soltura ou escape de híbridos. Um dos híbridos mais comuns é a mistura do surubim com a espécie congênere cachara, Pseudoplatystoma reticulatum, gerando o que se conhece nas pisciculturas como o peixe “ponto-e-vírgula” por conta do padrão de pintas (do surubim pintado) e faixas (que vem da cachara, mais 'tigrada'), explica Luciana.


Autor: Evandro Carlos com Assessoria


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